Executivos se Renovam, Mas só Quando Querem Mudar

Por Rafael Sigollo

Com o aumento da competitividade, da pressão por resultados e da disputa por talentos - além da busca de um melhor equilíbrio entre carreira e vida pessoal - a prática de "coaching" ganhou força nos últimos anos.

Especialmente em economias emergentes, como o Brasil, que vivem um intenso movimento de fusões e aquisições, start ups e expansão dos negócios, o "coaching" entrou tão em evidência que, a exemplo de outros termos do mundo corporativo, acabou banalizado. Hoje, é empregado em diversos programas de treinamento e aconselhamento que nada têm a ver com a função original, que é conectar as necessidades individuais com o desempenho empresarial.

Um novo mundo se abriu para amadores e aventureiros que tomaram o título de "coach" para si. Aprender técnicas ou metodologias, porém, é a parte menos complicada. Embora funcionem como um filtro inicial, as certificações devem vir acompanhadas de vivência, uma vez que teoria não resulta em maturidade.

Além de saber os limites de sua atuação e estruturar pensamentos, o "coach" precisa ter experiência no desenvolvimento de pessoas, construir relacionamentos, entender contextos, alinhar expectativas e ser capaz de aprender não só com a própria experiência, mas também com a dos outros.

É nesse cenário, e com o objetivo de dirimir dúvidas, desmistificar conceitos e resgatar a essência da técnica, que se inscreve "Coaching Executivo - Uma Questão de Atitude". Com prefácio de John Davis e apresentação de Luiz Carlos Cabrera, o livro tem autoria de três dos mais experientes profissionais de recursos humanos e consultores do mercado: Vicky Bloch, João Mendes e Luiz Visconte, hoje sócios na Vicky Bloch Associados.

Colunista da editoria EU & Carreira do Valor, Vicky Bloch é professora da FGV e, assim como João Mendes, leciona no MBA de recursos humanos da FIA. Luiz Visconte ocupou posições de diretoria em empresas como Alcoa, Poliolefinas e Reckitt Benckiser.

Pioneiros do "coaching" e antigos parceiros na DBM do Brasil, eles desenvolveram, ao longo dos últimos 20 anos, sua própria metodologia, sob a perspectiva de que qualquer mudança no indivíduo só ocorre de dentro para fora. Foi a partir dos anos 1990, também, que a gestão de pessoas entrou definitivamente no foco das organizações e autores como Peter Senge e Peter Drucker se tornaram célebres com obras sobre administração empresarial com ênfase nas equipes.

De maneira bastante simples e didática, os autores explicam que o "coaching" executivo (diferentemente do informal, do funcional e do técnico), é um processo estruturado, mas flexível, conduzido por um consultor especializado. É realizado por meio de reuniões e atividades paralelas e dura entre três e nove meses. O objetivo é dar suporte às lideranças, melhorar a performance e aprimorar competências. O "coaching", sobretudo, atua no engajamento, na motivação e no comprometimento do assessorado com as expectativas dos outros interessados no desempenho da empresa.

É também um referencial para decisões de mudança de carreira e preparação para abertura de novos ciclos, sendo muito útil em situações como troca de função, de cultura ou de cenário. Em vez de aconselhar, o "coach" ajuda o assessorado a refletir e a chegar às suas próprias conclusões.

Os autores ressaltam, contudo, que não existe mágica. Para que os resultados sejam satisfatórios, é previso consciência por parte da empresa contratante, formação específica e conhecimento profundo do "coach", muita dedicação e comprometimento do assessorado. Mesmo assim, é essencial ter humildade para admitir que nem sempre o processo funciona - embora, se bem conduzido, nunca seja em vão.

O livro detalha as etapas da estrutura básica do processo - diagnóstico, comprometimento, elaboração do plano de ação, acompanhamento e resultados. Há um capítulo específico sobre os valores e as questões éticas da atividade, como a confidencialidade. Afinal, é preciso prestar contas à organização contratante sem expor o executivo - especialmente, quando se trata de empresas familiares, em que as relações extrapolam o âmbito profissional.


Fonte de imagem: gettyimages

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