Incertezas Exigem Renovação Permanente

Por Renato Bernhoeft

Houve um tempo — que já vai bem distante — em que as pessoas conseguiam planejar suas vidas e carreiras com relativa antecedência e segurança. Partiam do pressuposto de que dificilmente o rumo das coisas seria alterado. Era uma época em que haviam muitas “certezas”.

Mas, da metade do século passado em diante, a única certeza que começou a ser difundida, embora nem sempre devidamente assimilada, é de que não temos mais certezas — apenas a certeza da incerteza. Passamos a viver em um mundo de mudanças, inseguranças, dúvidas e interrogações.

Fazer opções de vida, educar filhos, escolher uma profissão, buscar uma carreira de longa duração, optar por uma empresa que nos assegure uma permanência até a aposentadoria, entre tantas outras questões essenciais, já não permitem um planejamento tão seguro e de longo prazo. Afinal, tudo isso deixou de ser duradouro ou permanente.

Do mesmo modo, o início de um novo ciclo de vida como a passagem de ano, aniversário, perdas afetivas, filhos que saem de casa, novos relacionamentos entre outros eventos são excelentes oportunidades para parar, pensar, planejar e agir.

Vale destacar, nesse contexto, uma das alterações mais significativas ocorridas nos últimos anos, e que acentuou a importância de estar preparado para um processo de reinvenção permanente: o aumento da longevidade do ser humano, obtido através de inúmeras melhorias nas condições e cuidados na qualidade de vida das pessoas, avanços no campo da medicina e maior acesso às informações de uma forma geral.

Entre os desafios para uma vida mais longa e com boa qualidade, estão as condutas preventivas na relação do indivíduo com seu corpo e sua mente, além das questões materiais e financeiras.

Para a maioria das pessoas, a aposentadoria não significa mais o final de uma vida ativa do ponto de vista profissional nem do pessoal.

Preservar a autoestima e encontrar sentido para uma vida duradoura está exigindo que as pessoas descubram formas de se reinventar, e este não é um assunto para as vésperas da aposentadoria ou envelhecimento. Ele deve, cada dia mais, fazer parte das preocupações do jovem ao planejar suas opções de vida e carreira. Deve, também, ser tratado pelas famílias desde muito cedo na formação dos seus filhos, bem como ser incluído nos conteúdos ensinados pelas instituições de educação formal.

Por outro lado, também as questões relativas as formas como as pessoas se relacionam com o dinheiro ganha importância.

Pude constatar em recente viagem que, principalmente nos países do Oriente Médio e da Ásia, não existe sistema previdenciário ou de aposentadoria oficial e a responsabilidade por criar reservas financeiras para a velhice é do próprio indivíduo. Caso isso não tenha ocorrido, é a família quem assume essa responsabilidade. Por aqui, muitas pessoas ainda imaginam que vão ser cuidadas pelo sistema previdenciário no futuro, o que as leva a se descuidarem de criar reservas e patrimônio para essa etapa futura.

É da maior importância que famílias, empresas, instituições financeiras e o Estado conscientizem as pessoas, desde muito cedo, a terem um comportamento preventivo que possa assegurar seu futuro com alguma tranquilidade financeira — além do preparo das questões comportamentais que cada um deve ter em conta para um envelhecimento que preserve sua autoestima.

Mas, acima de tudo, compete a cada indivíduo tomar as primeiras iniciativas e ações.


Fonte: valor.com.br
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