Em Vez de Defeito, Fraqueza Pode Ser Virtude


Gerson Correia

Quem está passando por um processo de seleção mais rigoroso para um emprego certamente vai se deparar com perguntas difíceis e desafiadoras. Mas, por maior que seja seu preparo, não é possível --e nem seria recomendável-- participar de uma entrevista com respostas ensaiadas. O segredo, como já vimos, é estar bem treinado para falar a seu respeito, tanto dos pontos fortes como dos fracos.

A primeira pergunta normalmente feita pelo selecionador é bem aberta, do tipo "fale-me sobre você". Alguns cuidados com este tipo de questão: evite respostas longas; fale no máximo três minutos, abordando basicamente sua experiência profissional, escolaridade e seu principal diferencial de competência. Deixe para o entrevistador a incumbência de perguntar mais sobre algum destes tópicos, caso ele ache necessário.

Se perceber que a pessoa que o entrevista é do estilo emocional, que se interessa por informações de sua vida fora do trabalho, como hobbies e família, você pode falar um pouco mais sobre isto, desde que se sinta à vontade, evidentemente. Mas sem exageros.

Outras questões freqüentes, como já avisamos, são: "quais são os seus pontos fortes?" ou "quais são suas principais realizações?". O desafio para muitos candidatos, neste caso, é responderem sem parecer prepotentes, num extremo, ou excessivamente modestos, do outro. Tenha claro que ninguém melhor do que você pode comunicar os seus resultados. E que as pessoas só conhecerão suas competências se você divulgá-las. Não se trata de auto-elogio, mas de prestação de contas.

Fale sobre dois ou três projetos dos quais participou ou liderou, e apresente os ganhos para a empresa em que trabalhava. Por isso, é fundamental estar sempre medindo os resultados de sua atividade. Dizer que ela foi proveitosa para a organização não basta. Também não é obrigatório saber qual foi o impacto de sua ação no balanço financeiro. Mas deve-se, ao menos, informar se o projeto do qual participou trouxe mais agilidade ou reduziu custos em determinada área, e dar exemplos da situação antes e depois de sua atuação. E forneça ainda um quadro fiel do seu grau de importância nas realizações mencionadas, sem subestimar-se ou superestimar-se.

Normalmente, a pergunta a seguir é sobre seus pontos fracos, que pode vir sob as mais variadas formas, como: "o que você mudaria em si próprio?" Dizer que não mudaria nada pode até passar uma imagem de alguém feliz consigo mesmo, mas também pode denotar alguém sem auto-crítica -e isso sim seria um grande defeito.

Não tenha medo de falar sobre as características que suas avaliações em empregos anteriores apontaram como negativas. Você tem duas opções diante delas: ou mostrar que está trabalhando para modificá-las ou assumi-las como parte importante de sua personalidade.

Alguém, por exemplo, que sempre foi apontado pelos colegas como tímido pode não ter o perfil ideal para funções mais agressivas comercialmente, porém tem chances de se dar muito bem em áreas que exijam um comportamento reservado.

O importante é não se deixar levar por modismos, segundo os quais determinados tipos são mais destinados ao sucesso do que outros nas empresas em geral. Há lugar para todos, desde que cada um encontre o seu foco e saiba desenvolver e aplicar suas competências na gestão de sua carreira.

Gerson Correia é psicólogo e consultor da DBM do Brasil
Fonte: Folha Online

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