Como Perder o Medo de Falar em Público

Érica Nacarato


O medo de falar em público é um dos maiores da humanidade, entretanto, é um desafio que quase todas as pessoas precisam enfrentar em algum momento de suas vidas, seja na escola e faculdade, com a apresentação de um trabalho ou defesa de monografia, seja na vida profissional, em um congresso, reunião ou apresentação de projeto. Para vencer esse medo, e desenvolver a principal habilidade do mundo organizacional - a comunicação, as pessoas procuram cada vez mais ferramentas, como cursos e orientação profissional.

Conferencista do curso “Comunicação da Alta Performance”, da Catho Educação Executiva, executive coach e diretor de performance da E.I.T, Escola de Artes Cênicas de Comunicação e Negócios, Leonardo Calixto acredita que, no século XXI, mais do nunca, a boa oratória é mandatória. “Hoje, cada vez mais, não vale só o que você sabe, mas como você expressa o que sabe. O jeito como você lida com as pessoas, a sua capacidade de adaptação, as características ligadas à humanização, à expressão verbal, oratória, são muito solicitadas. Isso tudo porque vivemos em um mundo onde quem não se comunica, está fora do mercado devido a essa nova exigência do consumidor, em que não basta só produtos bons e baratos, tem que ser dentro das necessidades e de forma personalizada”.

Além disso, não saber se expressar pode gerar uma imagem negativa para as outras pessoas, como explica Vanessa Ferreira, diretora da ACT VOZ (Assessoria, Consultoria e Treinamento em Fonoaudiologia Empresarial): “Podemos dizer que ao se tratar de comunicação, é necessário interpretar um papel social e comunicacional diferente, dependendo do contexto e das pessoas a quem se destina. Um profissional tímido, que não gosta de se expor, fala mais baixo e é de poucos amigos, por exemplo, ao se colocar em uma situação de fala em público, deve assumir uma postura comunicativa que represente segurança, clareza e credibilidade na fala. Caso contrário, este rapaz, por mais competente que seja, pode acabar transmitindo, aos seus ouvintes, uma imagem de insegurança e individualismo”.

Mas, afinal, o que é falar bem? Para Fernando Pereira de Jesus, professor, e sócio fundador e diretor executivo do Instituto Fale Bem, falar bem é ter clareza, objetividade, e saber fazer uma boa introdução da fala, com isso, o profissional vai chamar a atenção dos ouvintes para si. “Aquele que não se coloca bem, vai deixar também uma impressão nos ouvintes, mas não uma impressão tão boa quanto o outro. Essa é a importância básica de falar bem em público: construir a imagem e o marketing pessoal, e se diferenciar”.

Entretanto, Leonardo defende que o falar bem vai além de técnicas, a pessoa precisa, primeiramente, se conhecer. “Se eu não me entendo e me compreendo, como vou entender e compreender o outro, e a partir daí estabelecer uma comunicação? Eu sou o ponto de partida, porque a vitória particular precede à pública. Não tem como eu vencer publicamente se eu não vencer comigo mesmo”. O conferencista complementa que ter uma boa oratória é potencializar a personalidade de cada um e, para isso, não se deve buscar personagens, já que é a individualidade que torna cada indivíduo especial.

Para aprender a falar em público e perder o medo, muitas pessoas procuram cursos que ensinam as técnicas da boa oratória. Nas aulas ministradas pelo professor Fernando, por exemplo, são ensinados conceitos, técnicas, e como usar as mãos, para que elas não interfiram na comunicação e chamem mais atenção do que está sendo falado. “Outro ponto importante é saber se posicionar em um local adequado, ou seja, não diante do foco de luz, e sim onde se perceba com facilidade a platéia; se houver espaço, pode se movimentar, mas com objetividade. Além disso, ensinamos a fazer o contato visual, que muitas pessoas não gostam e têm medo, mas que não deixa de ser uma forma de ter um feedback, saber se você está ou não agradando. Depois no segundo dia de curso, o aluno passa a gostar, perde a ansiedade e começa a dar show”.

Vanessa explica que, tratando-se das habilidades comunicativas, há três âmbitos em que é possível treinar para se alcançar um desempenho satisfatório: técnicas, recursos e relacionamento. A primeira trata de técnicas de flexibilização da voz, entonação, velocidade de fala, linguagem corporal (dentre outros), como uma forma de agregar traços marcantes ao discurso, possibilitando que o indivíduo apresente uma variação vocal, que é aplicada a cada contexto comunicacional. Já recursos são qualquer material que complemente a expressão oral nas apresentações em público, como, por exemplo, os recursos audiovisuiais, o microfone, o quadro, o som. “Sabe-se que, podemos aumentar a retenção da informação em até 82% se estimularmos o nosso ouvinte, não apenas pelo apoio oral, mas também pelo visual. Completando o ciclo, o relacionamento nada mais é do que o talento de se aproximar de pessoas, buscando honestamente ouvi-las para atender as suas expectativas. Afinal, a comunicação se torna eficiente somente se há uma reciprocidade nos interesses e ação dos interlocutores envolvidos”.

Por outro lado, Leonardo Calixto acredita que a pessoa que sente dificuldade em se expressar em público deve, antes de tudo, considerar qual é a sua dificuldade acerca da comunicação: ela fica com a boa seca, tem dificuldades de se colocar e ser ela mesma, ou já fica à vontade, mas não consegue conduzir reuniões e apresentações com maestria? Se o problema é a primeira opção, ela precisa passar por um processo de desenvolvimento pessoal de dentro para fora. Mas se a opção escolhida for a segunda, aí sim é o caso de procurar cursos focados nas técnicas da boa oratória. “Nesse caso, deve-se focar no gestual, na dicção e na projeção de voz, porque subentende-se que a pessoa já consegue ser ela mesma na situação, e só precisa desenvolver a estética, a técnica. Mas o que tenho visto em grande maioria, é que a massa tem dificuldade de se colocar, e vai em busca de técnicas. E aí não resolve nada, a pessoa fica frustrada duas vezes, e começa a instalar crenças limitantes pra se justificar, como, por exemplo, dizer que nasceu tímida, que é daquele jeito mesmo. Quando, na verdade, ela foi buscar um produto equivocado que não está alinhado com a sua necessidade”.

Leonardo explica ainda que muitas pessoas buscam nos treinamento, em grupo ou individuais, se exercitarem para se sentirem mais seguras, naturais, serenas e à vontade. Entretanto, essas características são emocionais e não técnicas.

Se o problema é apenas saber ministrar uma apresentação de forma a chamar a atenção dos ouvintes, Fernando alerta que o profissional precisa ficar atento às manias e vícios que todos nós temos. “As pessoas usam muito o ‘né’, ‘ok’, ‘tá bom’, eu acho, e erros muito mais graves, mas nem por isso menos freqüentes, como o ‘para mim fazer’. Já a questão da postura, do gestual, o aluno vai aprimorar com a prática. Primeiro, tem que fazer um curso, para ter contato com as técnicas, e depois, praticar, se expor ao máximo, e aproveitar os momentos e oportunidades pra desenvolver a fala”.

Com uma importância tão grande, porque tantas pessoas não sabem se comunicar ou têm medo de se expressar em público? Para Leonardo, o problema vem desde a escola, onde se ensina como fazer uma equação de segundo grau, mas não como o aluno, enquanto pessoa e profissional, deve lidar com a raiva, ciúmes, e outras emoções. “As pessoas se formam e saem da escola totalmente desabilitadas. Elas têm toda a parte técnica, sabem de física e química, mas quando chegam nas empresas, não sabem lidar e controlar suas emoções. Temos a mais plena convicção que é uma questão de punho, de prática e treinamento, já que a boa comunicação é uma habilidade, uma capacidade adquirida”.

Mas será, então, que saber se comunicar é um dom? Para Fernando, a resposta é positiva, entretanto, todos podem desenvolver a oratória: “em algumas pessoas esse dom aparece mais naturalmente, mas isso pode ser desenvolvido e aprimorado. Recebi um menino, por exemplo, que falava muito baixo e a chefe dele o mandou para o curso, e nós conseguimos fazer com que ele falasse em uma altura boa. Então, falar bem tem um pouco de dom, mas pode ser desenvolvido”. Já Leonardo, não acredita em dom, mas sim em facilidades: “Acredito que uns podem ter mais facilidades do que outros. Mas se aquele que nasceu com três ou quatro estrelas não se desenvolver e o que nasceu com uma aplicar, ele supera o de três, quatro, porque é uma habilidade”.

Vanessa lembra, ainda, que se antes era possível escolher profissões que não exigiam o falar bem, hoje se sabe e reconhece que, independente da área de atuação, a comunicação eficiente é imprescindível, seja para se integrar com os demais colaboradores e líderes do local aonde se trabalha, seja para gerenciar uma equipe com envolvimento e credibilidade, ou ainda para se relacionar de forma clara e persuasiva com o cliente.

Sendo assim tão importante, todas as pessoas deveriam desenvolver e aprimorar a sua oratória, independente da área de atuação. Segundo Leonardo, não importa se o profissional é da área de marketing, comunicação, artes cênicas, ou de qualquer outra, ele vai precisar se relacionar e comunicar com os outros; porém, as pessoas funcionam muito mais pela dor. “Infelizmente as pessoas só buscam o seu aprimoramento quando começam a sentir que não vão ser promovidas, quando vão mal na reunião, e quando começam a se sentir excluídas do meio. E se ela quiser ser líder, vai precisar liderar, trabalhar em equipe e, principalmente, saber se comunicar. Nessa hora, a maioria vira incompetente, se sabota, desiste, ou fica focando na incompetência do outro pra cobrir a sua. A comunicação é a mãe de tudo, ela é necessária pra estabelecer qualquer vínculo”.


Fonte: Carreira & Sucesso

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