De Volta Para o Futuro

Os empreendedores precisam aprender a conquistar as novas gerações de consumidores

Por Carlos Miranda 

Passei praticamente duas semanas viajando pelo Paraná, a pedido do Sebrae – PR, falando sobre estratégias de crescimento. Na minha palestra, procurei alertar os empreendedores, dizendo que, antes de discutir estratégias de crescimento, eles precisam entender que crescer, na maioria das vezes, não é uma opção. É a única forma de sobreviver.

No início de cada encontro, fazia um “selfie” de costas para a platéia. No início, os empreendedores pensaram que se tratava de uma estratégia de “quebrar o gelo”, ou então que o palestrante era narcisista. Na verdade, aquele meu ato foi uma provocação: a intenção era mostrar como uma inovação, aparentemente simples ou supérflua, consegue mudar hábitos, relações e a nossa memória, entre outros.

Depois, contei para o público como era o meu dia típico. Começo sendo despertado pelo meu smartphone, leio as notícias no mesmo, compartilho e vejo experiências compartilhadas por amigos reais ou virtuais. Depois, vou correr, usando o aparelho para saber minha localização, distância e velocidade, e também para desviar dos engarrafamentos. Em resumo, dependo de uma inovação de forma que jamais poderia imaginar há cinco anos.

Alertei ainda que as mudanças, muitas vezes devastadoras para alguns negócios (como as fábricas de vinil, por exemplo), ocorreram em uma velocidade infinitamente menor das que ainda virão pela frente. Daqui a cinco anos, os adolescentes de hoje estarão entrando no mercado de trabalho. Serão consumidores completamente diferentes dos que estamos acostumados, com hábitos e lógicas que ainda não conhecemos.

Paralelamente a isso, veremos evoluções tecnológicas que impactarão de maneira dramática os hábitos de consumo, por conta do binômio novos consumidores x novas tecnologias. Exemplos disso são as roupas inteligentes, que poderão monitorar e tratar de nossa saúde, ou os óculos inteligentes, que poderão ajudar a detectar o estado de espírito de nosso interlocutor, entre outros dados importantes.

O desafio, portanto, é como nós, empreendedores do século passado e neófitos nesse novo planeta, iremos buscar as oportunidades que lá estarão? Ou, pior ainda, como conseguiremos sobreviver? O tempo está aí, trazendo mudanças. As novas gerações de consumidores estão chegando às “toneladas” e em uma velocidade alucinante. Se não inovarmos e crescermos, certamente seremos atropelados e largados na beira do caminho.

O bom disso tudo é que todas essas facilidades tecnológicas estarão cada vez mais liberando espaço importante do cérebro do usuário para a criatividade – e para pensar em como ser mais feliz. A felicidade, o bem-estar e o prazer serão variáveis cada vez mais importantes para aqueles que se relacionam conosco, sejam eles colaboradores, clientes, fornecedores ou parceiros. Dessa forma, poderemos talvez, cumprir uma de nossas obrigações fundamentais como empreendedores: entregar a felicidade e trabalhar para uma sociedade melhor.


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