Uma Grande Ideia Não Será Boa Para Sempre

Alan Iny, especialista em criatividade, alerta para a necessidade da criação de “novas caixas”.

Para ser criativo e obter vantagem competitiva, pensar fora da caixa é pouco. É preciso pensar constantemente em caixas novas, afinal, são elas que liberam a mente para pensar o que parece impensável. Essa é a vacina que Alain Iny, expert em criatividade e planejamento de cenários do Boston Consulting Group, recomenda para evitar o declínio de desempenho em um ambiente tão dinâmico como o atual.

Ele explica que uma das características de nossa mente é a tendência que temos de simplificar o mundo em ‘modelos’, para que ele faça sentido. Por exemplo, dividimos o mercado em segmentos, embora ele não corresponda exatamente às categorias que descrevemos.

Conceitos e modelos são caixas mentais.

Quando saímos de uma delas para o infinito fora da caixa, nós nos sentimos perdidos e desejamos voltar para a velha caixa. Precisamos, contudo, encontrar outra caixa, o novo modelo que nos guiará na compreensão do mundo.

“O cérebro é como um motor a dois tempos. Somos bem conscientes do valor do segundo ciclo, quando o cérebro seleciona, compara, ordena, planeja e decide. Mas o primeiro tempo, aquele em que o cérebro imagina, sonha, sugere e abre horizontes, é o que realmente importa”, afirma Iny em artigo escrito com seu colega Luc de Brabandere e publicado por bcg.perspectives.

O produtor de bebidas francês Champagne De Castellane, por exemplo, mudou sua perspectiva quando, após dias de exercícios com seus executivos, conseguiu definir-se como uma empresa que contribuía para o sucesso de festas e comemorações. A partir dessa nova caixa, passou a imaginar seu futuro, e as ideias surgiram facilmente.

A criatividade, portanto, requer abordagem de dois passos. Não se pode ir direto à sessão de brainstorming, sem antes desafiar a percepção atual de mundo.

“Se você muda sua perspectiva, porém, pode alcançar grandes feitos. O primeiro passo é pensar sobre qual é a próxima grande coisa”, explicou Brabandere em entrevista ao canal de podcasting do bcg.perspectives. Segundo o autor propõe, um brainstorm bem-sucedido é aquele no qual um conceito existente passa a, de repente, fazer muito sentido para muitas pessoas.

Uma vez que uma nova caixa exista e ideias são geradas nela, deve-se continuar a gerar ideias, afinal, na atualidade, as regras do jogo vêm do ambiente externo à empresa.

Pensar em novas caixas

Em resumo, Iny e Brabandere sugerem que a criatividade seja estimulada e exercitada em cinco passos:

1. Duvide de suas percepções e preconceitos; saia da zona de conforto.

2. Investigue o possível, faça as perguntas certas ao reexaminar o mundo.

3. Realize a divergência, por meio de uma série de exercícios de geração de novas ideias.

4. Promova a convergência, por meio de avaliação, priorização e seleção de ideias que trarão melhores resultados.

5. Reavalie incansavelmente as ideias, de modo que o processo criativo seja perene.

Um cenário bem concebido é uma nova caixa, ressaltam os consultores no artigo “Rethinking Scenarios”. A Philips construiu novas caixas quando, há mais de 20 anos, identificou que os cuidados com a saúde realizados na própria residência seriam um cenário. Passou explorar essa tendência e, hoje, o negócio de saúde em casa constitui 25% da companhia.


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