Por Que as Mudanças Falham?

Entender a expectativa do público envolvido e criar as condições para que entendam e se comprometam com as mudanças na organização pode mudar isto

Por Agostino Carletti

Quem já vivenciou períodos de mudanças numa organização tem ideia dos transtornos graves que ocorrem quando esse movimento acontece sem o devido planejamento. Refiro-me à mudança como alteração em um status ou padrão estabelecido e, tanto num caso como no outro, se não for conduzido considerando todos os aspectos relacionados, o impacto na organização pode ser extremamente negativo. 

Mudanças organizacionais são influenciadas pelo ambiente organizacional interno e as condições do mercado e podem impactar o resultado e gerar desequilíbrio nas relações interpessoais. Há inúmeros casos conduzidos com eficácia e que resultaram em sucesso. Outros, não alcançam os resultados esperados. Nos vários eventos de que participo, com a audiência normalmente formada por executivos de grandes organizações, sou abordado com a seguinte pergunta: por que as mudanças falham? 

São várias as razões que frustram o resultado da mudança nas organizações. Nos projetos ficamos atentos aos fatores mais visíveis, como prazo, custo e qualidade das entregas. E temos dado pouca atenção às pessoas na abrangência da mudança. Temos dado pouca atenção (de tempo e de dedicação) aos processos de gerenciamento e envolvimento das pessoas em todos os níveis. E depositamos nossas falhas na frase genérica: “as pessoas são resistentes à mudança”. Mas será isto mesmo? Será que a resistência não pode ser resultado de desconhecimento do que irá acontecer conosco quando vivenciamos mudanças em nossas empresas? Será que não somos resistentes porque não vemos coerência entre o discurso e a prática das lideranças? Será que não somos resistentes porque não entendemos os motivos e a necessidade das mudanças?

Sim, é verdade que precisamos combater a acomodação que percebemos em alguns discursos como: “sempre fizemos assim, porque mudar?” ou “já tentei isto antes, é não aprovaram”, “parece interessante isto, mas temos coisas mais importantes”. As ferramentas a aplicar neste combate são o esclarecimento constante, comunicação clara e transparente, a geração de confiança entre os envolvidos e uma liderança que realmente conduza as pessoas para um novo patamar de entendimento e percepção das oportunidades que as mudanças podem gerar.

As mudanças falham porque damos pouca atenção ao tratamento de gestão de crenças, poder e políticas e não colocamos foco em entender o que de fato precisa mudar nos comportamentos e atitudes para que o novo se estabeleça de forma efetiva.

Se conseguirmos lidar com eficácia e competência com estes elementos, é certo que caminharemos para um bom resultado. O processo é amplo e sofisticado, envolve estratégias, objetivos, organogramas, públicos. É um processo de gestão que possui método e que as empresas devem começar a desenvolver como competência interna de seus gestores e lideranças.
As transformações devem ser conduzidas com responsabilidade e atenção porque impactam nos resultados dos negócios.

Agostino Carletti é Sócio-diretor da Dynamica Consultoria, empresa especializada na condução de processos de Mudanças Organizacionais


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