O Mar Está Para Peixe


Na visão de Ram Charan, expressa em entrevista exclusiva à HSM Management, haverá menos concorrência entre organizações e mais entre os líderes. “Eles é que vão tomar as atitudes e determinar o futuro das empresas”, afirma o renomado coach de altos executivos, especialista em liderança, estratégia e execução. Para ele, onde existem pessoas, existem mais oportunidades, daí a posição favorável do Brasil na cena global.

Tal cena, segundo ele, já tem seu pano de fundo definido: o poder econômico dos países do Norte está sendo transferido para os que se situam ao Sul do paralelo 31, que cruza o Norte da África, o México e a China, por exemplo. Isso é resultado de uma dinâmica de forças incontroláveis, como mudanças demográficas, volatilidade do sistema financeiro mundial, tecnologias digitais e energias liberadas da parte meridional do planeta.

Esse redesenho do tabuleiro do jogo constitui, para Charan, um chamado para os líderes deixarem de lado antigos paradigmas sobre a relação entre Norte e Sul e aproveitarem as megaoportunidades que já começam a surgir.

Nesse contexto, todos os líderes, inclusive os de pequenas empresas, devem ficar de olho em seis tendências:
Distribuição mais equânime de oportunidades e riqueza no mundo, motivada pela busca das pessoas por uma vida melhor.
Incerteza, já que o sistema financeiro global é altamente instável.
Perene guerra por empregos, ainda que os índices de desemprego caiam, pois os países querem fortalecer sua classe média e suas reservas financeiras. Por isso, não param de lutar, de modo que nenhum sai vencedor de fato.
Mais ajuda dos governos às empresas, fazendo surgir oportunidades da noite para o dia.
Estabelecimento de mais parcerias entre empresas do Norte e do Sul, como forma de luta diante de exigências governamentais de contrapartidas em propriedade intelectual e transferência de tecnologia, ou como iniciativa própria.
Surgimento de novos problemas ambientais em função da dinamização econômica do Sul, o que também ensejará novos negócios.

Além disso –e talvez principalmente por isso– os líderes terão de se esforçar para compreender as diferentes culturas em que sua empresa atua e mapear a movimentação das pessoas entre os países.

O líder sulista tende a ser bem informado sobre as economias do Norte, mas não sobre as demais do próprio Sul. Na busca por esse conhecimento, vale seguir o conselho de Charan: “Todo líder deve estar disponível para criar redes sociais externas e também procurar pessoas que possam lhe dar esse conhecimento. E tem de ser bom em interpretar essas informações”.

O consultor deixa claro que é preciso acabar com o hábito de priorizar resultados de curto prazo. O longo prazo não diz respeito, contudo, a cautela excessiva. “Há muitas empresas com dinheiro em caixa que não estão investindo e, no mundo atual, isso está longe de ser a melhor opção”, alerta. “Os líderes têm de saber quais países são bons para investir de acordo com a estratégia de crescimento da empresa. Toda empresa precisa ter uma estratégia de crescimento agora.” Afinal, “há peixes para todos os gostos” nesse oceano de oportunidades. 


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