Sonhos ou Planos?

Prefira (e equilibre) os dois

Falar sobre estratégia é também discorrer sobre elaboração de planos. Não que toda política de negócios, necessariamente, seja oriunda de planos formais e detalhadamente estruturados. Em nosso mundo de tecnologia percebemos que muitas vezes o mercado é tão instável que a formulação de planos minudenciados é pouco efetivo. Apesar disso, desconheço empresas bem sucedidas que não possuam bons planos. Agora, o que faz um plano ser de boa qualidade?

Você elabora muitos planos pessoais e profissionais. Sua empresa articula programas de desenvolvimento de produtos, de operações, financeiro etc. Grande parte da teoria sobre gestão delineia a configuração de planos: são muitas técnicas, ferramentas e modelos. Indico nesta coluna algumas das características de bons planos estratégicos.

Para tanto, comparo planos com sonhos. Não, não farei discurso estilo autoajuda. Nem caracterizarei os sonhos como totalmente ruins (irreais, improdutivos). Ao tecer tais comparações entre sonhos e planos levanto algumas das particularidades dos melhores planos.
  • Os sonhos ocorrem somente em nossas mentes. À medida em que os escrevemos construímos um plano. Esta é a primeira diferença que salta aos olhos: um plano necessariamente deve ser explicitado. Pode ser mais ou menos pormenorizado, mas de algum modo precisamos escrevê-lo (caso contrário, teríamos apenas sonhos). Esta constatação no conduz a uma recomendação: os planos são instrumentos de comunicação, assim é preciso identificam quais são seus públicos e escrevê-los de modo que todos os compreendam e os internalizem. Um plano que não for bem comunicado – mesmo com ideias excelentes – não será “comprado” pela empresa.
  • Os sonhos ocorrem (ou deveriam ocorrer) antes dos planos. Não me parece possível que um plano anteceda sonhos. Ao contrário, os bons planos devem alimentar-se de sonhos. As empresas mais admiradas têm visões de futuro energizantes e fazem a diferença no mundo. Tamara Erickson, docente da Harvard Business School, disse que o “significado” é nossa nova moeda. Segundo ela, devemos reverter a maré - radicalizada nas últimas décadas - de somente se trabalhar por dinheiro. No Brasil ainda há a fantasia de sermos “ricos inúteis” ao ganhar na Megasena. Devemos bradar: queremos ser ricos sim, mas desejamos ser úteis à sociedade! Os planos, portanto, não podem ser apenas rituais burocráticos; devem alimentar-se de grandes sonhos. 
  • Uma das características mais evidentes dos sonhos é que são despreocupados com a realidade e seus limites. Quando, no universo corporativo, ouvimos “você é um sonhador” normalmente nosso interlocutor faz uma crítica a nosso irrealismo. De fato, não é eficiente desenvolver planos natimortos. Certa vez em uma consultoria ouvi que a empresa desejaria ser líder de seu mercado em dois anos. Naquele momento, mesmo sem planos audaciosos e inovadores, detinha 4% do mercado e não previa fortes investimentos. Para que? Frustrar as equipes? Um bom plano não refere-se somente a estabelecer metas ousadas. É preciso dizer com altíssima clareza como antevemos alcança-las.
  • Somos naturalmente propensos a ter sonhos, mas precisamos metodologias e disciplina para elaborar planos. Nunca vi uma pessoa não soubesse sonhar. Mas já testemunhei muitos que não conseguem escrever planos. Portanto, utilize uma metodologia (há muitas) e estabeleça rotinas de planejamento e controle de resultados; simples, mas essencial.
  • Um sonho normalmente visa apenas ao longo prazo. Um garoto, quando fantasia ser jogador de futebol, já se imagina na final do campeonato. Nunca cogita as dores nos joelhos, a pressão da imprensa ou a tristeza de uma derrota. Precisamos fazer planos que percebam os riscos e, sobretudo, que estruturem as etapas para que cheguemos à final do torneio. Plano é uma escada, não um quadro na parede. Um consultor júnior uma vez me disse: “Planejo ser CEO de uma multinacional antes dos 40 anos” (ele tinha 23 aproximadamente). Perguntei: “O que está fazendo exatamente agora para tal?” Ao titubear na resposta assegurei: você não está planejando, estásonhando – útil, mas insuficiente.

É isso. Aproveite o final de semana para sonhar e planejar.


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