Cultura Não Faz Resultado

É o resultado que faz a cultura

Por Álvaro Oppermann

Nas últimas décadas, ganhou força o conceito de que a cultura da empresa é responsável pelo bom desempenho – e pelos lucros. É a premissa de clássicos como Vencendo a Crise, de Tom Peters e Robert Waterman, e Feitas para Durar, de Jim Collins e Jerry Porras. Um estudo do MIT, no entanto, vai contra a corrente. Ao analisar o desempenho histórico de empresas americanas entre 1979 e 1984, o professor de administração Jesper B. Sørensen notou uma causalidade oposta. “A cultura forte se desenvolve ao longo de um período de bons resultados na empresa. É o resultado que gera a cultura, e não o contrário”, diz, no trabalho The Strength of Corporate Culture and the Reliability of Firm Performance (“A força da cultura corporativa e a estabilidade do desempenho da empresa”). Foi o bom desempenho da Microsoft no início dos anos 80, por exemplo, que forjou a cultura da empresa (Bill Gates estava mais preocupado em fazer um sistema operacional que desbancasse a IBM do que em formatar uma identidade).

Isso pode parecer uma discussão bizantina, algo como a questão do ovo ou da galinha, mas Sørensen aponta um perigo subjacente à noção de que é preciso construir uma cultura forte. Ela é muitas vezes precursora da “armadilha da competência”. A empresa funciona tão bem que se torna, com o tempo, engessada, prisioneira de suas velhas – e confortadoras – crenças. “Organizações de cultura forte são mal equipadas para lidar com mudanças. Também lidam mal com o aprendizado e a exploração de novas ideias. Elas reconhecem tardiamente a necessidade de mudança.”

Dito isso, para que serve então a cultura corporativa? Depende de que cultura falamos, diz Sørensen. Pegue a Apple e a Sony. Seguindo a lógica do autor, no período estudado (de ascensão vertiginosa das duas) os bons resultados engendraram culturas de resiliência em ambas. Estas culturas possibilitaram, respectivamente, a volta por cima da Apple nos anos 90 e – não importa se ela é considerada “estagnada” – o perene reinado no topo da Sony. No fim das contas, conclui Sørensen, entre cultura e resultado, fique com a cultura do resultado.


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