Pare, Repense o Negócio e Desenvolva Uma Empresa Melhor

O Instituto Beleza Natural fez uma grande análise sobre suas práticas e teve como resultado um diagnóstico do que dá mais certo

Por Leila Velez 

Há alguns momentos na vida do empreendedor em que é preciso parar e repensar o negócio. Por mais que a empresa seja um sucesso, sempre há como melhorar, aumentar a produtividade, expandir-se, atender com mais qualidade e, claro, ter mais lucro. Por menor que seja a sua empresa, faça uma reflexão: você está 100% satisfeito com os resultados? Seus clientes têm demonstrado satisfação? Às vezes o silêncio não significa que está tudo bem, e a constante busca pela superação nunca deve ser esquecida. O sonho de crescer do começo continua forte nos seus planos?

Empreendedores, independentemente do tamanho de suas empresas, podem – e devem! – apostar nessa perspectiva. Mas é preciso estar disposto a quebrar paradigmas na hora de repensar o seu modelo de negócio. Faça uma análise do que é sucesso, do que você gostaria de manter e do que é eliminável. Muitas vezes, continuamos a fazer coisas que só tinham sentido no começo, mas que, por falta de questionamento, por hábito ou por comodidade, mantemos como prática. Pode ser um processo, um produto, uma maneira de realizar um serviço, um perfil de equipe ou estratégia de relacionamento com clientes.

Recentemente, em nossa empresa, o Instituto Beleza Natural, passamos esse momento. Foi uma experiência muito produtiva que já está gerando frutos, e por isso escolhi compartilhá-la com vocês aqui, na coluna deste mês.

Nós chamamos esse plano de Projeto BN Ideal. Foi, na verdade, uma grande análise de todo nosso modelo de negócio, de A a Z, passando por revisão de processos, mix de produtos, fluxo de atendimento, tamanho e layout de lojas, comunicação visual, perfil de equipe e política de preços. Nosso objetivo era focar a organização no processo de crescimento. Mas multiplicando somente aquilo que considerávamos nossas melhores práticas.

O primeiro passo foi comparar nossos indicadores de sucesso: quais unidades eram mais bem-sucedidas em cada fator, como produtividade da equipe, lucratividade por metro quadrado, receita, tíquete médio, ebitda, satisfação da cliente... Foram 14 indicadores comparativos. Assim, montamos um ranking de nossas lojas, que nos ajudou a entender qual era a melhor unidade em cada um desses itens. Partimos para descobrir por que determinada filial era a melhor em cada quesito. A resposta a essa pergunta nos levou ao questionamento do que fazer para criarmos lojas somente com as características das “campeãs”.

Se tivéssemos que construir do zero uma nova unidade do Beleza Natural, teríamos somente aquilo que consideramos o melhor de cada loja: a produtividade da loja A, a equipe da loja B, o ebitda da loja C, o tamanho da loja D, o número de clientes da loja E... Por aí vai.

Com esse mosaico teórico da loja ideal, passamos para uma segunda fase de quebra de paradigmas: se esse foi nosso melhor resultado até agora, o que pode ser feito de maneira diferente para atingirmos resultados ainda melhores?

Um ponto fundamental nesse processo foi a participação de toda a equipe, dividida em grupos de trabalho, com membros representando diferentes áreas da empresa e foco em projetos específicos. Foi incrível ver todos envolvidos no intuito de repensar o negócio, como se estivéssemos começando de novo. Todos com o intraempreendedorismo na veia!

Não foi fácil abrir mão de práticas antigas, nem abrir espaço para o risco do “diferente”. Mas, com foco em buscar o que era melhor para os clientes, o mais lucrativo para o negócio e o mais enriquecedor para o time, chegamos a resultados muito animadores. Construímos um modelo de instituto mais inteligente, em um formato “lego”, que custa um terço do anterior e requer metade do tempo para construção, mantendo a sua capacidade produtiva. A revisão do fluxo de atendimento e da comunicação visual também aumentou a satisfação dos clientes significativamente. O novo mix de produtos, além de deter melhores margens, trouxe melhores resultados de eficácia e aprovação dos clientes.

A dica é analisar o seu negócio não com o olhar do dia a dia, mas com um viés de crítica. Olhar como se fosse pela primeira vez. Pare e faça uma reflexão: o que é possível retocar para ganhar em produtividade, melhorar os custos? Precisa mesmo ser assim, só porque sempre foi? Sente na cadeira do cliente e pense: o que é possível fazer para tornar sua experiência mais feliz? Na cadeira do colaborador, reflita: como fazer para sua equipe ser mais produtiva e satisfeita? Olhe à sua volta. Visite outras empresas, não somente concorrentes. Empresas de outros setores. Aprenda com elas. Veja o que se pode adaptar à sua.

Rever o negócio como um todo é se despir dos paradigmas, das verdades absolutas, porque muitas vezes elas não são tão absolutas assim. É preciso saber jogar fora coisas que, hoje, você acha que são verdadeiros mandamentos, instituições sagradas. O resultado pode ser um recomeço muito melhor do que você pode imaginar.

Leila Velez é sócia-fundadora e presidente da rede de salões Beleza Natural. Em 2011, foi homenageada com o título de Mulher Empreendedora do Ano no Endeavor Summit, em São Franscisco, nos EUA. Cursou o MBA Executivo do Coppead-RJ e especializações na Harvard Business School e na Fundação Getulio Vargas-RJ

Fonte da imagem: Clique aqui

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