Aprenda Com o Guepardo

A maior vantagem do felino mais rápido do mundo não é sua velocidade

Por David Cohen

Num tempo em que todo o mundo quer tudo para ontem, e acha que deve atingir seus objetivos da forma mais direta possível, um estudo feito por um zoólogo britânico fornece uma ótima analogia para o mundo do trabalho.

O estudo é do professor Alan M. Wilson, do Colégio Veterinário Real da Universidade de Londres.

Ele publicou, na quarta-feira (12/06), na revista Nature, um estudo sobre os guepardos que observou na reserva de Botswana, no sul da África.

O guepardo (ou chita) é o animal terrestre mais rápido do mundo, atinge até 100 km/h. Não é essa sua principal vantagem, porém.

Wilson e seus colegas documentaram, durante seis a nove meses, as caçadas de 367 guepardos. Para fazer isso, desenvolveram durante dez anos uma coleira que funciona com energia solar e é capaz de registrar direção, aceleração e velocidade do animal.

A conclusão foi que o guepardo depende muito mais de sua habilidade de manobrar e mudar de velocidade do que da rapidez em si. “Os guepardos não correm tanto quando estão caçando”, disse Wilson ao jornal The New York Times. O que fazem de mais impressionante é mudar de direção, frear e acelerar de novo – habilidades que a gazela, sua principal presa, não tem.

E o que isso tem a ver com a vida nos escritórios?

Apenas um alerta para a possibilidade de que, mais do que a capacidade de chegar a um lugar muito rapidamente, o melhor profissional seja aquele capaz de mudar de direção, acelerar, desacelerar, saltar e mergulhar conforme mudem as condições. O guepardo é o predador mais preparado para as surpresas que acontecem em qualquer corrida.

Num mundo estável, quando você quer ir do ponto A ao ponto B, a linha reta é o melhor caminho. Num mundo instável, o ponto B muda de lugar com frequência. Chegar a ele pode exigir curvas e paradas inesperadas.

Chegar a um posto de comando pode exigir, por exemplo, experiências diversas de subir degrau a degrau – e entre essas experiências podem estar uma caminhada para o lado, uma volta para trás ou, inclusive, dar uma parada na carreira.

É bom lembrar, no entanto, que nem toda caçada do guepardo é bem-sucedida. Estudos anteriores colocam a taxa de sucesso das caçadas entre 10% e 50%. Pior: depois de atingir seu objetivo, o guepardo precisa descansar de sua estafante corrida, e o botim pode ser roubado por outros animais (leões, leopardos, hienas). Por isso, além de caçar rápido, ele tem de comer rápido.

Outra possível analogia do guepardo: assim que vê uma presa em potencial, ele inicia sua carreira. Mas, se a caçada não dá certo, ele desiste. Quer dizer, sua agilidade em mudar de direção também vale para mudar de objetivos. Não deu certo, parte para outra.


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