A Importância do Profissional Recrutar a Empresa


Érica Nacarato

Nas seleções de emprego, é muito comum ouvir dos recrutadores que eles procuram alguém que tenha o perfil da empresa. Entretanto, tão fundamental quanto isso, é que o profissional esteja em uma companhia cuja política e valores sejam compatíveis com o seu perfil. Afinal, não é apenas a empresa que seleciona o candidato, mas ele a recruta também.

O conferencista, autor, professor e fundador da Julio Sergio Cardozo & Associados, empresa de consultoria em negócios, Julio Sergio Cardozo, defende que escolher a empresa que pratique os mesmos valores que os seus é imprescindível; mas isso, muitas vezes é deixado de lado, pois o profissional se preocupa, na maioria das vezes, com o lado econômico do emprego. “Muitas vezes há uma preocupação exagerada com os aspectos financeiros em detrimento a outros igualmente importantes (ou talvez mais importantes), tais como: conceito da empresa, os seus dirigentes, possibilidades de crescimento na carreira, ambiente de trabalho, etc”.

No entanto, o administrador, palestrante, professor universitário e autor, Jerônimo Mendes, ressalta que, escolher uma empresa com o seu perfil, não significa escolher a maior ou mais conhecida, mas aquela que propicie melhores condições de desenvolvimento profissional, de acordo com as suas competências, habilidades ou características mais relevantes. “Meus alunos do MBA sempre me procuram na esperança de que eu possa facilitar o acesso deles às grandes empresas do meu círculo de relacionamento; e eu sempre digo que eles têm muito mais condições de crescer em empresas de médio ou até mesmo de pequeno porte, do que disputar espaço em corporações onde a competição é frenética e muitas vezes injusta”.

Segundo os entrevistados, saber como é a política da empresa e como será o trabalho pode ser mais simples do que se imagina. Para isso, basta perguntar ao recrutador e se informar com alguém que já trabalhe, ou que já trabalhou, na empresa, ou com amigos do seu círculo de relacionamentos. “Com o advento da internet e o surgimento das redes sociais é possível saber de antemão se a empresa vale o esforço ou não. Entretanto, deve-se tomar cuidado para não se deixar contaminar por comentários de profissionais que foram demitidos e por essa razão descarregam suas mágoas lançando intrigas e fofocas apenas para prejudicar a companhia. Lembre-se, a corporação é feita de pessoas e, infelizmente, nem todas conseguem separar o lado pessoal do profissional”, explica Jerônimo.

O conselho é realizar essa pesquisa antes de entrar na empresa, já que, uma vez contratado, reverter essa situação é um pouco mais complicado. Julio conta que conhece casos de pessoas que se informaram antes de aceitar o emprego, mas apenas quando começaram a trabalhar, descobriram que os aspectos negativos superavam os positivos. “Neste caso, é melhor procurar outro lugar; afinal, trabalhar insatisfeito e desmotivado, é o pior dos mundos. Devemos sempre nos lembrar que passamos mais tempo trabalhando do que com qualquer outra atividade. Logo, é preciso ser feliz no emprego. Caia fora o mais rapidamente possível se você está insatisfeito por razões objetivas”.

Jerônimo aconselha que, nessa situação, é preciso buscar alternativas enquanto há tempo. Mas ele lembra que não existe emprego e nem empresa perfeita, e sim corporações que oferecem melhores condições de trabalho, ambientes mais humanos e pessoas mais interessantes. “É raro encontrar uma empresa exatamente com o seu perfil, assim como as empresas não encontram profissionais com o perfil definido no manual”.

Como toda companhia tem os seus pontos negativos e positivos, para saber se está no local certo, é preciso colocar tudo na balança e analisar qual dos dois lados pesa mais, o negativo ou o positivo. “Se você levanta na segunda-feira já pensando na sexta, acredite, você está no lugar errado. Albert Camus, o grande pensador francês, era mais enfático e dizia que ?não existe dignidade quando nosso trabalho não é aceito livremente’. Ter consciência da sua própria limitação e dos limites da empresa facilita a conscientização sobre as perspectivas de estagnação ou de crescimento”, explica Jerônimo, “quando você se prepara, dá o máximo de si e reúne todas competências necessárias, mas não é aproveitado na primeira oportunidade, é sinal de que a leitura do seu perfil está equivocada ou que você realmente não está nos planos da empresa. Se estiver equivocada, você pode esclarecer os fatores mediante uma conversa franca com o seu superior imediato, caso contrário, vale a pena arriscar outro caminho mais promissor”.

Continuar na empresa reclamando do seu chefe, do ambiente e do trabalho, com certeza não é a melhor saída. Para Julio, há pessoas que são eternamente insatisfeitas com a vida, com a família, com o trabalho e com os seus relacionamentos, e para elas, o executivo não é nada otimista: “não tem jeito mesmo. É o caso de buscar ajuda profissional para superar os problemas”. Entretanto, para aquelas que escolheram equivocadamente a empresa, é uma questão de tempo para instalar-se definitivamente uma insuperável desmotivação. Por isso, o recomendável é escolher criteriosamente as ofertas de trabalho e não aceitar a primeira que aparecer sem uma cautelosa avaliação. “Claro que a dificuldade crescente para arranjar trabalho, pode gerar um desespero e levar às pessoas a agarrarem o que aparecer. Pode até resolver momentaneamente, mas no longo prazo ficará claro que foi uma decisão equivocada”, ele afirma.

Jerônimo, por sua vez, dá três alternativas para o profissional que não consegue ver qualidades onde trabalha, e apenas critica tudo que cerca o seu ambiente de trabalho: 1) Você se manifesta, levanta o problema e tenta mudar; 2) Você fica quieto, não questiona e convive até quando for possível, sem fomentar a discórdia; 3) Você simplesmente vai embora e procura uma empresa onde a filosofia de trabalho atende melhor às suas expectativas.

Contudo, evitar todo esse desconforto é a melhor solução. Para isso, é preciso tomar certos cuidados antes de iniciar um processo de seleção, como explica Jerônimo: “selecione a empresa cuja visão é cativante, a missão é cumprida à risca e os valores são compatíveis com os seus; pesquise algo sobre o ambiente, a política de RH e o código de ética da empresa; procure conhecer sobre o dono ou o presidente para saber se você não vai trabalhar para alguém espiritualmente fraco, cuja ambição resume-se apenas ao crescimento econômico; avalie se a empresa defende uma causa em benefício da sociedade; coloque os prós e os contras na balança; e imagine a relação profissional como um casamento, que vai ser duradouro quando existe compromisso sério de ambos os lados e um verdadeiro martírio quando não existe reciprocidade”.

Fonte da imagem: gettyimages

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