Negócios: Planejar Não Dói

Por Edgard Bello

Planejar dá trabalho, mas não dói. Vale a pena lembrar-se disso antes de iniciar um novo projeto, seja uma nova empresa, produto ou serviço. Até mesmo em assuntos pessoais, como comprar um carro ou uma casa, planejamos. E não custa nada destacar que o plano de aposentadoria – que nem sempre está em nosso planejamento -, deve ser um objetivo a ser pensado e executado. Por mais complexo que um planejamento possa parecer, ele vale a pena ser colocado em prática. Mas, como fazer isso?

Todo mundo planeja algo todos os dias, mesmo que não colocamos isso no papel – ou na planilha eletrônica. Quando acordamos já temos em mente um resumo das tarefas do dia e como vamos executá-las. Saímos de casa com um plano mínimo visando ter atingido vários objetivos ao final do dia. Nos negócios acontece a mesma coisa, mas com uma diferença: na empresa a cobrança é muito maior e cotidiana, e, no entanto, você pode contar, felizmente, com a participação de seus colegas, das diversas áreas da empresa. E como um negócio envolve centenas – ou milhares – de fatores, não é aconselhável deixar para pensar em como resolver as coisas enquanto se escova os dentes. Planejamento de negócios é mais que isso.

O planejamento requer disciplina, conhecimento e controle. E, também, deve considerar muitas variantes, os acertos e erros, inúmeras variantes, tais como as ações da concorrência, sazonalidade, pacotes econômicos, crises diversas, desastres naturais. Tudo deve ser levado em conta.

Vamos tratar aqui do planejamento orçamentário, que envolve as atividades relacionadas à captação das receitas (via comercialização, empréstimos, venda de ações, etc.), despesas e investimentos.

O objetivo do planejamento orçamentário é coordenar as ações e aplicações nas diversas atividades relacionadas ao caixa da empresa, receitas, pagamentos, investimentos, ganhos e perdas, e estabelecer como as metas serão atingidas e como reagir às movimentações do mercado.

Aliás, as surpresas nos negócios são inevitáveis e não escolhem hora para acontecer. Alguns resultados não são tão surpresas assim, mas certamente afetam o que se planejou para os negócios.

Muitas vezes os gestores não conseguem lidar corretamente com uma nova situação imprevista. Mas, ela é educativa no final das contas. Então, aqui está o ponto forte do planejamento: estudar e simular as várias alternativas face aos possíveis acontecimentos futuros.

Até hoje o Brasil é visto como fábrica de ótimos executivos de negócios, de bons gestores. Isso acontece porque o Brasil viveu longos anos de inflação alta e os executivos tinham que se virar para manter a empresa viva e competitiva neste cenário altamente adverso, onde o preço de um produto começava o mês custando 10 e chegava a 20 na quarta semana seguinte, por exemplo. Um tormento também para os assalariados, que compravam e estocavam tudo o que necessitavam logo que recebiam o salário, para não ter que pagar mais caro no dia seguinte. Este era o tipo de planejamento da época. Hoje os tempos são outros, mas todo mundo aprendeu que é melhor planejar para não pagar a mais depois.

Todos os dias vemos na TV e nos jornais comentaristas e parte da classe empresarial - não só no Brasil - criticando ações de governos na área econômica, com particular destaque para a “falta de investimentos” em diversos setores, principalmente na indústria. Em uma análise simplificada, o que este pessoal quer dizer é que é necessário “planejar melhor” e investir mais, para que os resultados da economia sejam satisfatórios e positivos.

Não queremos entrar no debate aqui sobre se os governos planejam mal ou não, mas podemos afirmar que grande parte dos resultados até aqui obtidos com o PIB – Produto Interno Bruto – no Brasil, são frutos do que o governo conseguiu ou não colocar em prática doque estava em sua agenda. Nas empresas também vemos os mesmos problemas: a própria mídia também divulga e comenta os balanços das empresas e é possível notar que muitas das grandes companhias fecharam seus resultados com perdas, seja porque o que se planejou não foi atingido ou porque sofreram as consequências das variações da economia e do mercado. É comum ver comentários dos executivos que os “prejuízos” estavam previstos e que eles são parte da fase de “consolidação” do negócio.

Viu? Até os prejuízos são considerados no planejamento.

O que dói, na verdade, é a falta de planejamento. E como podemos aprender como os erros e acertos, a melhor coisa que temos a fazer é começar a pensar no assunto.


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