Deu “tilt” no Mundo

Rever sua confiança em sua competência principal, estar pronto para fazer apostas estratégicas e combater o monstro do curto prazo: são conselhos que o consultor e coach de altos executivos, Ram Charan, dá para quem já percebeu que será preciso mudar a maneira como conduz seus negócios. A razão para isso? Deu “tilt” na economia mundial, ou seja, o eixo da economia se deslocou. 


Após a grande crise de 2008, o cenário global mudou drasticamente e o poder mudou de mãos. Se, antes, Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão eram os jogadores mais fortes, agora o hemisfério sul –mais especificamente Oriente Médio, China, Índia, Indonésia, Brasil e algumas regiões da África– pode ditar o tom dos mercados. Afinal, é nessa parte do mundo que reside o potencial de crescimento.

Executivos experientes estão, assim, diante de novas, e até confusas, regras do jogo. Em entrevista concedida ao The Times of India, o consultor explicou que muitos, especialmente do hemisfério Norte, não estão prontos para a transformação. Eles são inflexíveis e estão presos às suas competências principais, que têm vida útil limitada. Os líderes de sucesso do futuro, ao contrário, construirão competências em função das oportunidades de grande escala e longo prazo que emergirão.

Outro grande entrave que líderes encontram para abraçar a mudança é o fato de que, nos novos mercados, as margens de lucro são mais baixas. É preciso, então, convencer os acionistas a apostarem no longo prazo, quando o “monstro do curto prazo” é quem reina. Charan afirma que é possível entregar resultados de curto prazo que constroem o futuro de longo prazo sem padecer diante do pensamento imediatista à moda Wall Street.

Nova postura estratégica

A nova ordem mundial não é para todos. Ela requer lidar com complexidade, volatilidade, velocidade e incertezas, exigências que são analisadas no livro Global tilt: leading your business through the great economic power shift (ed. Crown Business), lançado em fevereiro de 2013. Nele, Charan e os coautores, Geri Willingan e Charles Burck, procuram estimular os executivos a se prepararem para as apostas estratégicas.

Durante o Fórum HSM Estratégia 2013, que será realizado em São Paulo nos dias 11 e 12 de junho, Charan irá expor sua visão sobre gestão e liderança de alto impacto neste mundo em "tilt", que exige que os líderes saibam quando é a hora certa de mudar de rumo ou de recursos. “Você precisará ter coragem para decidir com base em informações ambíguas e firmeza para enfrentar a resistência que provavelmente virá com tais decisões”, alertam os autores.

Se é sabido, por exemplo, que as vendas virão, em maior proporção, de um mercado novo, é quase certo que será necessário contar com mais tomadores de decisão naquele país estrangeiro e reduzir o contingente no país da matriz da empresa. Não é fácil anunciar e realizar tal medida.

Outro aspecto relacionado a recursos diz respeito ao fato de que o crescimento faz com que aumente a concorrência por eles. Talvez seja necessário desenvolver fornecedores alternativos ou até mesmo adotar a integração vertical.

As abordagens estratégicas tradicionais podem, como diz Charan, “fazer você perder algumas das melhores oportunidades que o tilt traz”, ou “as maiores oportunidades de liderança na história moderna dos negócios”. Para enfrentar tantos desafios, o líder e sua equipe têm de adotar uma abordagem “de fora para dentro”. Isso significa conhecer o cenário externo –quão dinâmico é, como muda e quais são os catalisadores da mudança– antes de pensar na realidade interna à organização.


Fonte: www.hsm.com.br 
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