O Pulo do Gato: Qual a Diferença Entre Uma Ideia Bem Sucedida e Uma Esquecida?

A ideia, por si só, não implica em inovação. Esforço e habilidades na sua implementação são os elementos que fazem a diferença

Por Gisela Kassoy

O que a Starbucks, o Post-it, a mini van e o leasing tem em comum? São todos produtos e serviços inovadores que transformaram o mercado e obtiveram sucesso sem ter que lutar contra a concorrência nem reduzir custos.

Não é este o sonho de todo empreendedor e de toda empresa? E tudo começou com uma boa ideia.

Segundo o consultor em administração Karl Albrecht, a ideia é a matéria-prima da inovação. Daí a achar que uma ideia por si só pode levar ao sucesso, ser o pulo do gato, há um certo exagero. A implementação de uma nova proposta requer esforço e habilidades tão importantes como as utilizadas para a sua criação.

Quanto há de verdadeiro nisso? Sou consultora especialista em criatividade e inovação. Meu trabalho é, além de incitar a geração de ideias, garantir que elas não sejam desperdiçadas. A intenção deste artigo é ajudá-lo a lidar com os empecilhos mais frequentes, ou seja, fazer a inovação acontecer.

Vejamos, portanto, o que mais, além de uma boa ideia, é necessário para que o pulo do gato se dê completa e favoravelmente:

A venda da ideia

Não importa se você é empreendedor, empresário ou executivo. Você precisa da receptividade dos outros para que sua ideia evolua. Transforme-a em um projeto claro e conciso. Realce os resultados que ela trará, calcule a relação custo-benefício, pense nas objeções possíveis e crie de antemão formas de combatê-las. Entenda que uma nova ideia sempre exige uma nova forma de pensar. Você viu uma possibilidade diferente, mas os outros ainda não.

Cultura adequada

Para uma ideia ter receptividade, é preciso que as pessoas envolvidas estejam preparadas para tal. A cultura da sua empresa é aberta a inovações? Como o erro é visto? Se uma inovação envolver mais de uma área, como se lida com os palpites em seara alheia? A cultura da empresa pode ser ou não um solo fértil para inovações, mas não se trata de uma barreira intransponível. O papel de quem cuida das inovações na empresa é entender e administrar as características da cultura organizacional para que o terreno seja cada vez mais fecundo. Um empreendedor solo precisa pensar nas características das pessoas que poderão (ou não) apoiá-lo: colegas, parceiros, família e eventuais financiadores.

Esforço e recursos

Você ou alguém na empresa terão tempo, verba, poder e dedicação para fazer a inovação acontecer? Normalmente esses quesitos são escassos. Com empenho e criatividade pode-se realizar uma ideia com uma verba menor do que a prevista, mas tempo e dedicação tendem a ultrapassar em muito a previsão inicial.

Quanto ao poder, vale lembrar que ele não se limita ao poder do cargo. A persuasão também é um forte instrumento para que se dê espaço para a inovação.

Estrutura

Em sua empresa há comitês, comunidades de práticas ou outras formas para que as pessoas se organizem para fazer a inovação acontecer? Se você atua sozinho, já desenvolveu uma estrutura que favoreça o sucesso da inovação?

Testes, monitoramento e reajustes: Uma estrutura sólida para dar suporte às inovações envolve os famosos funis que avaliam as sugestões em diferentes etapas. Após o lançamento é preciso monitorar a evolução do novo produto ou serviço.

Dificilmente uma ideia chega ao mercado tal qual foi criada. Um empreendedor não pode confundir persistência com teimosia e deve, portanto, estar aberto aos eventuais reajustes.

Depois de tantos requisitos, pode parecer que o pulo do gato é mais difícil do que parece. De fato, o gato pula porque tem musculatura adequada, preparo físico e vontade de pular. Ele pula também porque tem sete vidas, e pode, portanto correr riscos. Mas acima de tudo, ele pula porque vê os benefícios de seu salto e sabe que vale a pena.


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