Aumenta a Preocupação Com a Falta de Qualificação

Por Letícia Arcoverde

A atual escassez de mão de obra qualificada não é exclusividade de economias emergentes, mas um problema global que precisa ser resolvido com mais flexibilidade e mobilidade entre os países. No Brasil, o mercado sofre principalmente com a falta de profissionais nas áreas estratégicas e o crescimento dos salários. "É um assunto que deveria ser prioridade de qualquer governo", diz Mark Bowden, diretor geral da consultoria Hays para a América Latina.

Os resultados são do Global Skills Index, produzido pela Hays em parceria com a Oxford Economics, que mapeia o mercado de trabalho em 27 países. De acordo com os dados referentes a 2012, o Brasil tem um índice de 5.7, um pouco acima da média mundial de 5.1. Números maiores indicam maior dificuldade de encontrar profissionais qualificados, enquanto os mais baixos apontam o contrário - sobram candidatos para as vagas disponíveis. Bélgica, Itália e Hong Kong ganham nesse quesito.

Apesar de próximo da média, o Brasil é o 7º país onde a mão de obra qualificada é mais escassa. Os Estados Unidos e a Alemanha estão empatados no topo, com um índice de 6.4.

Segundo Bowden, o mercado de trabalho brasileiro está sendo afetado em razão de três principais fatores. O primeiro é a falta de profissionais em áreas como engenharia, pesquisa e saúde, e varejo. Outros aspectos são a educação - uma vez que há um descompasso entre os profissionais sendo formados e as necessidades do mercado -, e a pressão salarial. "A falta de profissionais e os reajustes anuais inflacionam os salários", afirma.

Para o consultor, o Brasil precisa flexibilizar suas leis trabalhistas para poder concorrer com o mercado internacional, e o momento de desaceleração econômica faz com que o país precise pensar ainda mais no assunto. "Provavelmente não havia essa necessidade dois anos atrás. O crescimento baixo e a inflação, no entanto, significam que está na hora de tomar decisões", diz.

A atração de profissionais estrangeiros também esbarra na legislação complexa, na dificuldade relacionada à língua e em problemas de segurança. Para Bowden, essa é uma questão urgente do governo: identificar onde a falta de mão de obra qualificada é mais crítica e atrair profissionais do exterior para suprir a demanda. "É um problema global. Essa mobilização de recursos humanos precisa ser mais bem planejada", diz.

No caso da educação, o consultor afirma que o governo trabalha alinhado com universidades e escolas de negócios, formando assim profissionais capacitados para atender a demanda das indústrias. Outra medida útil seria criar incentivos fiscais para que as empresas formem os próprios funcionários.

Por fim, ainda que a economia esteja desacelerando, Bowden não vê a situação influenciar esse cenário no futuro. Além de apostar na recuperação do crescimento, ele acha que as pressões do mercado de trabalho continuarão a ser decisivas para a economia. "Precisamos não apenas investir em infraestrutura, mas oferecer os recursos humanos certos para pôr esses projetos para funcionar", completa.


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