Saiba Como Aproveitar o Tempo Perdido no Trânsito

É possível estudar, bater papo, dar instruções à babá. Mas o bom senso e o respeito às leis devem prevalecer.

Por Vanessa Correia

O trajeto entre o Morumbi e a região da Paulista, em São Paulo, poderia ser perdido para Rackel Valadares, diretora de suporte global da multinacional GXS. No entanto, ela decidiu fazer desse tempo um momento produtivo de seu dia.

Nas três horas que leva para percorrer pouco mais de 16 km, entre ida e volta, a executiva liga para familiares, amigos, subordinados, ex-colegas de trabalho, assim como resolve problemas pessoais, agenda consultas e exames médicos, sempre respeitando as leis de trânsito.

"Coordeno uma equipe de quase 100 funcionários, que trabalha 24 horas por dia, todos os dias da semana. Estou disponível tempo integral para atendê-los, caso necessário. Por isso escolhi fazer no carro o que não consigo fazer nem em casa, nem no escritório", afirma.

Mas o "aproveitamento do tempo ocioso", como ela mesma diz, veio depois de muito nervosismo e horas mal dormidas. "O tempo que levava para ir e voltar do trabalho me deixava com raiva, já que sentia que jogava fora três horas do meu dia. Aos poucos percebi que poderia fazer coisas úteis nesse período, como ligar para amigas que há muito tempo não conversava, ou mesmo para a minha família de Goiânia", lembra, ressaltando que essa mudança de abordagem foi há dois anos.

Claro que teve um preço: a conta telefônica dificilmente é inferior a R$ 400,00. "Fiz essa escolha e não me arrependo."

Rackel não está sozinha. Ela e outros 2 milhões de paulistanos utilizam o carro todos os dias ou quase todos os dias para se deslocar pela cidade. E o tempo médio em que permanecem no veículo apenas para ir trabalhar é de 1h34, segundo pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo e Ibope.

Se considerado todos os deslocamentos feitos de automóvel, o tempo gasto é ainda maior: 2h23. E esse cenário se repete nas principais capitais do país.

"É muito tempo que precisa ser aproveitado de alguma forma. E alternativas mais comuns disponíveis aos motoristas são audiolivros, cursos de línguas, palestras e reportagens de revistas internacionais", sugere David Braga, gerente geral da Dasein Executive Search, consultoria em recursos humanos.

Cesar Lins de Medeiros, diretor-geral da CPP no Brasil, aproveita as três horas que leva do bairro do Panamby à Alphaville de outra forma: conversar com seus superiores e subordinados na Europa. "Como eles estão de 3 horas a 4 horas na nossa frente, aproveito para resolver imprevistos, adiantar pendências e realizar teleconferências", diz o executivo, ponderando que sempre que utiliza o telefone o faz no modo viva-voz - o Código de Trânsito Brasileiro não faz menção ao seu uso, embora o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) entenda que é perigoso, por desviar a atenção do motorista.

Para ele, o fato de realizar reuniões com uma ou mais pessoas enquanto dirige não atrapalha sua concentração, ao contrário de Rackel, que só o faz se for extremamente necessário. "Já fiz inúmeras reuniões enquanto dirigia, mas hoje não faço mais. Já aconteceu de ficar nervosa no trânsito, pedia licença, respirava fundo e retomava. Também não conseguia consultar os materiais alvos da reunião ou não entendia o que estava sendo apresentado. Como não achava produtivo acabei suspendendo", afirma a diretora da GXS.

Roberto Picino, diretor executivo da Page Personnel, também não recomenda a realização de teleconferências enquanto os envolvidos dirigem. Para ele, a impossibilidade de fazer anotações ou resgatar algum dado abordado entre os executivos atrapalha.

"Acho possível ter uma conversa com um único interlocutor sobre um único assunto. Já a dinâmica de uma teleconferência pode atrapalhar a concentração no tráfego", completa. 


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