Origem da Palavra e da Profissão de Coach

Entenda a origem do termo e a evolução de seus significados até chegar ao mundo corporativo


Resumo: Muitos profissionais, inclusive da área de TI, vêem na carreira de coach uma possibilidade para seu futuro. Neste artigo vemos a surpreendente origem húngara da palavra coach. A evolução de seus significados até chegar ao mundo corporativo. Nele o coach é o profissional especializado no desenvolvimento de competências de liderança. Mas, com o tempo o processo evoluiu e também é utilizado para se desenvolver competências em outras áreas da vida, inclusive na esfera pessoal. Somente pessoas sadias podem participar do processo. As metodologias de coaching são oriundas de áreas que explicam a complexidade humana: psicologia, filosofia, biologia e física quântica.

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Quando em 2001 saí da área de computação e comecei minha jornada no desenvolvimento de líderes empresariais não vislumbrava que no futuro muitos seguiriam as mesmas trilhas.

Mas agora, com tantas pessoas, inclusive de TI, investindo na carreira de coach é um bom momento para revisitarmos suas origens.

Origem da palavra coach.

Coach é uma palavra inglesa, mas de origem húngara (kocsi). Kocs é uma cidade na Hungria que fica no condado de Komárom-Esztergom, às margens do Rio Danúbio e da estrada que liga Viena, na Áustria, a Budapeste. No século XVI, começou a produzir carruagens que se tornaram as mais cobiçadas da época por seu conforto – elas foram as primeiras a ser produzidas com suspensão feita de molas de aço. Assim, as carruagens de Kocs eram chamadas de kocsi szeker. Os nativos dessa cidade também são chamados de kocsi. E é esse vocábulo que os ingleses entendiam como "coach". Portanto, o primeiro significado da palavra coach é “carruagem”.

Com o passar do tempo, surgiu uma metáfora. Do mesmo modo que a carruagem leva as pessoas aos diversos campos geográficos, o coach era a forma como se chamava o tutor que conduzia outras pessoas pelos diversos campos do conhecimento. Conta-se também que as famílias muito ricas, quando em longas viagens pela Europa, levavam servos no interior da carruagem, que liam em voz alta para as crianças o que elas tinham de aprender. Esse servo passou a ser chamado de coach também.

Na segunda década do século XIX, os alunos da Universidade de Oxford adotaram a gíria "coach" para designar os professores que lhes auxiliavam nos exames finais. Em seguida, a própria universidade começou a chamar os técnicos das equipes esportivas desse modo. Portanto, o segundo significado da palavra é "técnico".

Uma curiosidade: apesar de ser considerada arcaica, a palavra "coacher", para designar o coach, existe, mas caiu em desuso a partir da década de 1910. Todavia, ainda hoje, algumas empresas a adotam para se referir ao coach.

Desafios que fizeram surgir a profissão de coach 

Nas décadas de 1950 e 1960, o gigantismo das operações empresariais impulsionadas pelo mercado de capitais gerou alguns desafios básicos. Primeiramente, para obter resultados maiores, os profissionais mais antigos foram dispensados. Isso acarretou a perda de experiência relevante para as empresas, que se viram obrigadas a recontratá-los, mas como consultores externos. E, segundo, o aumento do número de subsidiárias em países distantes fez surgir a necessidade de formar líderes. Entretanto, a formação de líderes é um processo que requer um profissional com formação e características específicas: o coach. Diferente de um consultor, o coach não possui as respostas, mas as perguntas que desenvolvem o pensamento e o comportamento do líder.

Assim, a pergunta que deu origem ao que hoje conhecemos como processo de coaching foi: "É possível criar e desenvolver um líder?". E, se isso é possível, como fazê-lo?

A resposta a essa pergunta é: sim, é possível desenvolver um líder. A maioria das pessoas tem condições de se formar em liderança – diga-se de passagem, querendo ou não, todo indivíduo é líder de sua própria vida. Mas, sob qual princípio ocorre esse desenvolvimento?

Se você e eu começássemos a treinar vôlei todos os dias, é improvável que venhamos a jogar na seleção brasileira de vôlei. Por outro lado, é muito provável que joguemos cada dia melhor.

O mesmo ocorre com o treino para a liderança. Ele não tem o propósito de tornar alguém um Bill Gates, um Steve Jobs ou um Antônio Ermírio de Moraes, mas, sim, o melhor líder que a pessoa possa ser dentro do seu contexto e das suas possibilidades. E quem sabe qual será o limite de uma pessoa?

Tipos de coaching 

Ao longo do tempo, descobriu-se que desenvolver um líder nada mais é que desenvolver um ser humano. Que, por vezes, por acidente, está em um cargo de liderança. Mas, o que se desenvolve são suas dimensões humanas. Essa descoberta levou o processo a se bifurcar em duas grandes áreas:

Coaching executivo – que é o coaching original, utilizado para desenvolver competências de liderança nos profissionais.

Coaching de vida – utilizado para desenvolver competências relacionadas a outras áreas da vida do indivíduo. Particularmente, prefiro chamar de coaching de desenvolvimento humano.

Portanto, coach é um profissional especializado no desenvolvimento de competências de liderança e de desenvolvimento humano.

Em português, soa estranho e é por vezes desconfortável ter de utilizar o vocábulo em inglês para designar o coach. No entanto, no mundo executivo, a língua inglesa é vista com naturalidade, e a mistura da língua portuguesa com ela, apesar de às vezes confusa, academicamente inapropriada e muito combatida por alguns, é largamente aceita.

O coach, repetindo, é o profissional que conduz o processo de desenvolvimento de competências de liderança ou de vida.

Coaching é o nome do processo (literalmente "treinamento", em inglês).

Coachee é o nome que se dá ao cliente que contrata o coach.

Coachable (treinável) é como designamos a pessoa candidata ao coaching. Somente pessoas saudáveis podem se submeter ao coaching. Pessoas que não se responsabilizam pelo resultado de seus atos ou com problemas psicológicos, como, por exemplo, depressão e síndrome do pânico, não podem se submeter ao processo. Coaching não é terapia, e o protocolo estabelece que o coach, ao identificar um cliente com esses problemas, deve interromper o processo e encaminhá-lo a um psicólogo.

Metodologias 

O bom coach irá estudar metodologias oriundas de quatro áreas de conhecimento sobre seres humanos:

– Psicologia: estudam-se somente os métodos vindos dos tratados sobre seres humanos funcionais. Por exemplo, os estudos do Dr. Martin Seligman sobre psicologia positiva. Entenda-se como ser humano funcional aquele que é saudável, capaz de criar a vida que deseja e desenvolver as ações que produzem essa vida.

Filosofia: principalmente metodologias que têm como fundamento o método socrático, o estoicismo grego e a ontologia.

Biologia: tratados que fazem a conexão sobre como as emoções são produzidas e seus efeitos nas células do organismo, como os estudos da Dra. Candace Pert, Ph.D.

Física Quântica: especificamente como o ser humano transforma, conserva e consome energia. Não se estuda em coaching a parte matemática da física quântica, mas somente as implicações da energia no ser humano. Embora eu recomende que um bom coach se interesse pelo conhecimento em física quântica.

Um coach oferece a seus clientes não apenas as metodologias, que podem ser aprendidas em vários cursos ao redor do mundo, mas também seu próprio autodesenvolvimento.

É uma profissão desafiadora e que auxilia as pessoas saudáveis a desenvolver as competências necessárias para alcançar os resultados que desejam. Seja na liderança empresarial ou em suas próprias vidas.

Para me seguir no twitter: @silviocelestino
Fonte: Olhar digital
Fonte da imagem: gettyimages

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