Memória Empresarial: a Capacidade de Ter o Que Contar

Autor: Samara Teixeira

Pioneirismo, desafios e conquistas são características que todas as empresas possuem em suas histórias, porém, as corporações estão buscando, cada vez mais, maneiras de preservar suas identidades e ações por meio dos centros de memória empresarial.

Estes centros têm por objetivo resgatar e criar um elo entre o passado com o presente, tornando-se grandes setores de consultas sobre a empresa e trazendo, de maneira diferenciada, as histórias das corporações a toa. A memória empresarial abrange a elaboração de livros e revistas comemorativas, exposições permanentes ou pontuais, sites e outras ferramentas úteis que irão preservar e divulgar as narrativas históricas empresariais, ou seja, vão ser tornam sistemas de arquivos e informações.

Segundo Lygia Rodrigues, historiadora e sócia da Grifo (escritório de projetos culturais e de memória empresarial), toda empresa ao realizar seu trabalho produz um patrimônio, de propriedades materiais e não materiais, ou seja, os materiais são todas as documentações geradas a partir da atuação da empresa na sociedade e, os bens não materiais, são as reflexões, ideias e memórias das corporações.

“Todo este conjunto compõe a memória de uma instituição, e a importância deste acervo é para empresa e para a sociedade. É uma memória social”, explica Rodrigues.
A memória empresarial preserva a identidade corporativa

Dentro do contexto existem dois pontos de vista: o motivo estratégico cria uma ferramenta que permite pensar o futuro e trabalhar melhor o presenta da organização; e a importância social, pois, dentro da responsabilidade história os acervos de memória são peças chaves. “A necessidade da criação destes acervos veio com o crescimento das áreas de comunicação das empresas. Estas áreas, por terem contatos com imprensa, sociedade e departamentos, sentiam falta de materiais capazes de informar a identidade da organização”, explica Lygia.

Cada vez mais a cultura vem sendo reconhecida como uma necessidade e responsabilidade social, e as corporações estão investimentos criteriosamente nestes acervos e modelos de comunicação.

Um exemplo de engajamento e pioneirismo é o Centro de Memória da Bunge (empresa de agronegócio), fundado em 1994 com intuito estratégico de gestão e, também, para a construção social da história do país. O acervo da Bunge é um dos mais diversificados do Brasil. “Possuímos relatórios da área administrativa, financeira e da área de comunicação. Relatórios sociais, documentos de constituição da empresa, imagens das atividades interna e externa da corporação, peças museológicas e de arte que foram utilizadas nas unidades da empresa, temos também, embalagens, propagandas, ou seja, existe um acervo enorme”, explica Juliana Santana, gerente de projetos da Fundação Bunge.

A importância deste acervo está na praticidade que ele trás aos colaboradores atuais, por exemplo, quando a equipe de marketing deseja rever campanhas antigas para redefinir o foco estratégico, é possível encontrar todas as campanhas facilmente dentro do acervo. Outra ação interessante é o para o uso do departamento jurídico que pode utilizar documentos para defender causas da empresa.
Importância da memória como Responsabilidade Social

Além de uma ação estratégica de informações, o Centro de Memória Bunge atua, também, na preservação da memória, direito intelectual e projetos culturais com a intenção de resgatar a memória cultural de determinadas regiões.

“Um projeto que estamos realizando em três cidades do Tocantins, chamadas Pedro Afonso, Bom Jesus do Tocantins e Tupirama, todas cidades centenárias, tem como intenção ajudar no desenvolvimento territorial e, principalmente, resgatar suas histórias para desenvolvimento da população”, explica Santana.

Ainda do campo da responsabilidade social, o Serviço Social do Comércio de São Paulo (SESC) é uma instituição com atuação no cenário cultural paulista, o que faz com que o acervo seja um grande centro para pesquisadores que se interessam pela amplidão de seus temas tratados, entre os quais, as artes, o turismo social, a saúde, a prática de atividades físicas e esportivas, a alimentação, no atendimento ao público prioritário formado por trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e o público de seu entorno. “É assim que nos colaboramos em relação à memória empresarial, a partir de diretrizes e métodos condizentes com nossos objetivos, de maneira a oferecer conteúdo para o acesso cada vez mais democrático aos pesquisadores”, explicaElizabeth Brasileiro, gerência de estudos e desenvolvimento do SESC Memórias.


O SESC Memórias caracteriza-se por ser o centro de memórias institucional do SESC São Paulo, recolhendo e tratando (arquivísticamente) a produção documental da instituição. A documentação que compõe o acervo é aquela produzida nas atividades do SESC, não sendo objetos de guarda os documentos de natureza administrativa ou transacional (como contratos, processos de compra, prontuários de funcionários). “Sua perspectiva é permitir o diálogo com o futuro, por meio da preservação e da coerência institucional”, afirma Elizabeth.

Assim, o acervo é majoritariamente composto por registros audiovisuais e iconográficos das atividades e programas, documentos textuais produzidos para divulgação dos eventos e da própria instituição, documentos textuais produzidos como subsídio para a realização de sua ação como: projetos e pesquisas, relatórios institucionais, troféus recebidos e objetos produzidos nas atividades, além dos registros de história oral, que são captados de acordo com projetos elaborados pela equipe do SESC Memórias.

Em 2010, o SESC SP foi convidado a participar da Rede de Centros de Memória Empresarial, formado por quase 20 empresas e instituições, “onde a Bunge participa como referência para as outras empresas”, relata Juliana.

A Rede de Centros de Memória Empresarial se constitui como um circuito de Instituições que, por diferentes motivos, criaram seus Centros de Memórias. Como Rede, não se estrutura por cargos ou funções e promove discussões a partir de temas voltados à organização dos Centros, a produtos derivados dos processos de pesquisa à documentação de cada acervo, entre outras possibilidades. “Transforma-se assim numa oportunidade para o intercâmbio de referências metodológicas, abertas ao diálogo, às experiências, tão necessárias para o desenvolvimento da reflexão e das práticas”, enfatiza Elizabeth. Fazem parte da Rede, entre outros, o Centro de Documentação e Informação Científica Prof. Casemiro dos Reis Filho – CEDIC/PUC, o Centro de Memória Bunge, Centro de Memória Klabin, Centro de Memória BM&F-Bovespa, Memória Votorantim, Centro de História Unilever, Memória Globo, Espaço Memória Itaú Unibanco, Centro de Memória J. Macedo, Centro de Documentação e Memória Grupo Gol e Memória Petrobrás.


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