Você Tem um Plano de Carreira ou Uma Carreira de Empregos?

Assim como algumas empresas, funcionários esquecem a importância do planejamento 

Por Daniela Almeida

“Não consegui aquela promoção”, “meu salário não é justo”, “preferia estar em outra área”. É só olhar ao redor e fazer uma conta de cabeça: quantos amigos você tem que estão realmente felizes com seus trabalhos e quantos vivem repetindo reclamações, como as do início desta reportagem?

Um dos principais motivos, apontam os especialistas em carreira, é a falta de planejamento. Como muitas empresas, as pessoas deixam o planejamento para depois e vão tocando suas vidas. O resultado é que elas acabam desenvolvendo uma carreira com uma lista de diferentes empregos, em vez de criarem um plano de carreira.

“Há uma frase antiga que diz: se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. Senão, pode escolher seu próprio caminho”, diz Eliana Dutra, diretora-executiva da Pro-Fit Coaching.

É interessante saber suas habilidades, talentos e aonde chegar com eles, sugere a coach. A solução pode ser mais simples do que se imagina. Pergunte aos amigos seus talentos, fraquezas e vulnerabilidades. Pedir feedback ao chefe e aos colegas, é outra boa forma de conseguir autoconhecimento.

O livro “Descubra Seus Pontos Fortes”, de Marcus Buckingham e Donald O. Clifton, é baseado em pesquisas feitas pelo Instituto Gallup com mais de 2 milhões de pessoas e ajuda a desenvolver competências. Outras ferramentas, como o próprio coaching e a terapia são outras opções. 

Passo a passo

Para Van Marchetti, diretora da Attitude Plan, é preciso parar de culpar a falta de tempo, sentar e montar um plano de ação. “Se existe tempo para o happy hour, existe tempo pra isso”, diz. Algumas dicas da palestrante, especialista em carreiras, ajudam.

- Pense no cargo que ocupa no momento. Liste o que esse cargo exige e o que poderia fazer mais. Pergunte-se: Estou entregando algo a mais antes de cobrar um reconhecimento?

- Pegue uma folha e faça uma relação com o que faz de melhor tecnicamente e quais suas habilidades comportamentais (vale aquelas que você já percebeu ou as que apontaram);

- Em outro quadrante coloque o que sabe que precisa superar e melhorar. Observe: o que mais critica talvez seja o que mais precisa melhorar em você mesmo;

- Calcule seu valor de mercado, que é o conjunto das competências técnicas e comportamentais. Compare a média salarial da vaga que está almejando com o seu salário atual. Avaliando o quadrante inicial (a lista de qualificações do cargo que deseja), é possível saber o quanto está próximo ou distante. Essa é uma ferramenta importante até para pedir um aumento de salário;

- Listadas as habilidades, é preciso desenvolver ações para alcançar os diferenciais necessários. Não precisa ser um MBA, podem ser leituras simples, leitura de artigos etc;

“As pessoas ainda escrevem muito errado. Até mesmo em cargos de liderança. A leitura faz com que a pessoa escreva melhor e desenvolva o raciocínio”, afirma Van. “O primeiro passo é reconhecer o que precisa melhorar, depois aceitar e, então, começar o movimento.”

Armadilhas no caminho

É comum aceitar propostas de trabalho sem ter a visão se elas estão alinhadas ao que se deseja (ao plano de carreira), às aspirações ou vocações. Como não ceder à tentação? Na opinião de Van, é importante que o profissional defina o que faz melhor e o que gosta de fazer. É preciso fazer uma escolha. “Nem adianta criar expectativa com uma vaga que não é exatamente aquilo que gostaria de fazer.”

Quem tem uma lista de empregos que mais parece uma colcha de retalhos, dificilmente será bem visto por potenciais empregadores. Na área de TI ou em áreas mais técnicas isso é mais aceitável. Mas na maioria dos segmentos, para atingir cargos de liderança e de gestão, é essencial ter cases no currículo, avisa a especialista.

Se o plano de carreira não funcionou até aqui, faça uma boa edição do currículo, de maneira a indicar o caminho escolhido. Segundo a coach, o cargo deve ser específico e a área, ampla. Navegar em vagas oferecidas e entender o que empresas estão procurando ajuda na hora da edição.

“As pessoas se queixam que não têm dinheiro ou tempo. Financeiramente, às vezes dá pra abrir mão de algum entretenimento. No mais, faz meia hora de almoço e investe o resto nisso”, diz Van. “Quando a gente tem uma meta, tem que estar firme nela.”


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