Série SEU NEGÓCIO - Sua Empresa Está em Declínio? Faça Uma Autoanálise (com coragem)


Por Adriana Salles Gomes

No livro Como as gigantes caem, o pesquisador Jim Collins desenha a anatomia do declínio padrão de uma empresa, divisando cinco estágios. Em épocas em que a economia está em crise, ou em que há muitas indefinições em termos de modelos de negócio por conta das ameaças das inovações, as etapas descritas abaixo ficam particularmente visíveis (em minha opinião).

Sugiro aproveitarem essa estrutura para analisar sua empresa; eu, pelo menos, consigo reconhecer várias que aparentemente estão nos estágios 1 a 4. Segundo Collins, os estágios 1 e 2 correspondem às raízes do declínio; os estágios 3, 4 e 5, à resposta equivocada dos gestores a tais raízes. Até o estágio 4, o declínio não é bastante visível. No estágio 3, inclusive, a empresa pode parecer estar ótima, mas seus pés encontram-se bem na beirada do precipício. Sempre dá para reverter, então sempre vale essa análise. Mas não tem elegância nessa decadência.

1. Excesso de confiança proveniente do sucesso

Indicadores

• Arrogância, sentir-se com direito ao sucesso.
• Distração com ameaças irrelevantes e aventuras que leva a negligenciar algo de potencial.
• O “o quê” substitui o “por quê”
• Queda na orientação para o aprendizado
• Minimização do papel da sorte no sucesso obtido

Exemplo

A Motorola continuou apostando no sucesso do StarTac mesmo diante de celulares mais avançados.

2. Busca indisciplinada por mais

Indicadores

• Busca insustentável pelo crescimento, confundindo grande com excelente
• Saltos descontínuos indisciplinados
• Proporção cada vez menor de pessoas certas em posições-chave
• Um caixa fácil desgasta a disciplina de custos
• A burocracia subverte a disciplina
• Sucessão problemática de poder
• Interesses pessoas acima dos interesses organizacionais

Exemplo

A varejista Ames decidiu que dobraria de tamanho em apenas 12 meses e fez uma aquisição gigantesca e desastrosa.

3. Negação de riscos e perigos

Indicadores

•Enfatizar o positivo, minimizar o negativo
• Grandes apostas e metas ousadas sem validação empírica
• Correr um enorme risco com base em dados ambíguos
• Desgaste da dinâmica saudável da equipe
• Eternalização da culpa
• Reorganizações obsessivas
• Desapego arrogante

Exemplo

Quando o negócio de mainframes da IBM começou a declinar, um dos diretores fez um relatório apontando os perigos, mas não foi levado a sério.

4. Luta desesperada (vale-tudo) pela salvação

Indicadores

• Uma série de “balas de prata”
• Agarrar-se a um salvador
• Pânico e afobação
• Mudança radical e “revolução” com grande alarde
• Badalação precede os resultados
• Uma melhora inicial seguida de decepções
• Confusão e ceticismo

Exemplo

A carismática Carly Fiorina tomou decisões arriscadas como CEO da HP e comprou a concorrente Compaq. A fusão não funcionou como previsto e ela foi demitida.

5. Entrega à irrelevância ou morte

Indicadores

• Muitos gestores desistem da luta
• Opções vão se esgotando

Exemplo

A Scott Paper acabou sendo comprada pela Kimberly-Clark.


Fonte da imagem: clique aqui

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