Autor: Caio Lauer
Você sente vergonha de conversar ou
pedir informações para pessoas desconhecidas? Tem pensamentos inseguros em
relação a você mesmo com frequência? Sente dificuldades ao falar em público?
Então, provavelmente, a timidez faz parte da sua personalidade.
Profissionalmente, esta característica pode ter impacto negativo, e com as
competências exigidas pelo mercado nos dias de hoje, os acanhados perdem cada
vez mais espaço nas organizações.
Em linhas gerais, a timidez pode ser considerada um fator que causa
desconforto e inibe as pessoas em situações de relação interpessoal, o que
acaba interferindo na realização de objetivos pessoais e profissionais. Com
este padrão de comportamento, o indivíduo acaba não expressando suas emoções e
pensamentos e bloqueando a interação pessoal. “No ambiente profissional, ser
tímido é considerado um problema. Não estou falando daqueles mais reflexivos,
introspectivos ou calados. Falo sobre aqueles que não falam por medo de ser
rejeitados ou colocados de lado em uma equipe ou na própria organização”, opina Nancy
Assad, especialista em Comunicação e Marketing.
Hoje, está provado que, quando reconhecida a causa da timidez, é
possível reprogramar a mente do indivíduo para minimizar este mal. Em paralelo,
obter bastante conhecimento também é um facilitador, pois dominando as nuances
de sua atividade profissional a pessoa se sentirá mais segura para expor suas
ideias. Em casos onde a inibição é mais intensa, cabe ao sujeito buscar auxílio
em cursos como os de oratória e comunicação, e buscar formações extras onde a
timidez possa ser minimizada. “Acredito que seja uma característica de
personalidade. Trabalhamos esta questão com avaliações psicológicas para
processos de seleção e propostas de promoção de cargo e, muitas vezes,
identificamos a timidez nos avaliados, o que pode limitar a admissão,
principalmente em vagas que exigem uma comunicação maior e um perfil mais
desinibido”, relata Kelen Kertesz , psicóloga, especializada em gestão
de pessoas e diretora da Coaching Consultores.
As organizações têm se preocupado mais com esta questão e oferecem
programas de desenvolvimento pessoal, principalmente para cargos de liderança.
Uma das exigências para os gestores é que se relacionem com seus subordinados,
e ser tímido vai de encontro às competências do cargo. “A pessoa tímida
sente-se insegura em todas as situações em que lhe é exigido algum
comportamento expositivo. Ambientes profissionais, relacionais e sociais
requerem que a pessoa emita opiniões, atue de forma assertiva, interaja e crie
contextos. Cargos e funções de liderança requerem tais comportamentos; logo, a
timidez funciona como um limitante para a carreira de um pretendente à gestão e
em tais ambientes esse perfil é essencial”, contextualiza Homero Reis,
consultor e coach master.
Segundo Nancy, profissionais mais introspectivos buscam atividades que
exijam menos relação interpessoal, como áreas técnicas. “Os segmentos de
Tecnologia da Informação, Projetos e Contabilidade são campos onde exige-se
menor interação com o público”, exemplifica.
Processo de Seleção
Já na entrevista de emprego, estar inibido não significa tanto, pois é
normal que nestes casos de pressão o candidato se sinta mais inseguro. Os
selecionadores estão preparados para este tipo de situação e já esperam uma
atitude mais retraída dos profissionais. “A timidez impacta verdadeiramente no
desempenho do dia a dia, pois muitas pessoas são desligadas por conta destes
distúrbios comportamentais”, conta Nancy.
Vale ressaltar que diminuir as chances por conta da timidez depende
muito do perfil da vaga pleiteada e da cultura da organização contratante.
“Existem empresas que buscam profissionais mais reservados em função da
atividade que vão desenvolver. Porém, em companhias em que a competência da
comunicação for muito forte, provavelmente este candidato terá dificuldades de
recolocação”, explica Kelen. Para ela, cabe ao recrutador ter o “feeling” para
identificar que o candidato está nervoso e inibido por estar no processo de
seleção e também proporcionar o chamado “quebra-gelo”, para identificar se
aquele comportamento é por conta da pressão e insegurança da seleção ou se faz
parte da personalidade da pessoa.
Fonte da imagem: gettyimages




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