Coluna do Marco - Até Que a Morte Nos Repare


Até Que a Morte Nos Repare


Pois é minha gente, depois de quase dez anos de jogo de gato e rato os EUA conseguiram aniquilar seu inimigo, matando-o sem dó nem piedade, mostrando ao mundo qual é o destino de quem desafia a grande potência. Ouvi dizer que o Obama matou Osama e foi cumprimentado entusiasticamente por onde passou, seus compatriotas foram as ruas enaltecer seu nome, os índices de popularidade dispararam os americanos entoavam gritos de guerra numa aberta demonstração de superioridade, afinal a última jogada, a cartada final havia sido dada por Obama, um tiro na cabeça do inimigo público número um dos estados unidos faz crescer de maneira surpreendente a possibilidade reeleição do super black man, Mister “Yes, I can”. 

Não matarás Diz explicitamente o quinto mandamento e sendo os estados unidos uma nação cristã, temente a Deus, de católicos, protestantes, judeus e outras tantas religiões pacifistas, mas principalmente um país de formação judaico cristã ocidental, como puderam regozijar-se pela morte de alguém?

Creio que o quinto mandamento, não matarás, seja o de maior flexibilidade, depois de não cobiçar a mulher do próximo eu acho. Matar é uma ação natural como comer, pular ou dormir. No Brasil, existe sim uma pena de morte, só que ela é paralela ao direito, não existe como figura jurídica, mas existe na prática do dia a dia, no mundo real. A polícia mata a torto e a direito os homens e mulheres envolvidos com drogas, os bandidos, os pobres que estão no lugar errado na hora errada, ou no lugar certo na hora certa, não importa, matam sem querer e por querer. O povo bate palmas e pede bis quando um assassino ou estuprador é trucidado por um chefe do tráfico local. Mesmo não tendo farda o bandido ganha a admiração dos homens de bem, pois este “justiçou” o malfeitor, então damos apoio ao criminoso que matou o outro criminoso é o lobo na pele do lobo. Coloquei um depoimento dia destes no faceboock que apoio a pena de morte se esta for extensiva, ou melhor, se esta vier primeiro para os políticos que são assassinos da esperança alheia, ladrões da verba pública, estupradores da expectativa dos jovens, vampiros da saúde dos pobres, enfim os fazedores de desgraças que jogam na ignorância milhares de pessoas inutilizando-as enquanto seres humanos e como cidadãos. 

Mas deixemos de lado meus azedumes contra esta casta abjecta e voltemos ao tema antes que eu morra de raiva destes anelídeos, platelmintos, nematelmintos (ou lobrigas mesmo). 

Morrer é algo muito natural, trás tristeza muitas vezes, mas pode trazer alívio por outras tantas vezes, quando a morte é de uma pessoa má. 

Nos filmes e nos vídeo games, matar é um exercício divertido e bastante praticado. Acho interessante a saga do filme “Premonição” cujo enredo é que um personagem tem uma visão de que pessoas vão morrer e impede que isso aconteça, então a morte fica fula da vida e passa a matar as pessoas que sobreviveram com requintes de crueldade causando mortes muito criativas, a morte matando as pessoas me parece uma redundância pra não dizer idiotice, o gato mia, o cão late e a morte mata ué... 

Eu sou do tempo do telejogo da Philco, era um joguinho cujos gráficos eram um traço de um lado um traço de outro e uma suposta bolinha (quadrada lógico) que ia de um canto para outro da tela e o objetivo era mover o controle para cima ou para baixo e impedir que ela (a bolinha quadrada) passasse. Que jogo boboca, nos dias de hoje deve ser usado para medir o grau de deficiência mental de um orangotango. 

Vejo meu filho jogar on-line com os amigos e com desconhecidos um game bastante instrutivo ou destrutivo cujo objetivo e matar os adversários que estão no lado oposto (uma redundância para que fique bem claro que o adversário sempre está do lado oposto). E neste jogo ele pode ser policial, agente especial, militar, terrorista, o que for desde que esteja com uma arma na mão e possa distribuir balas de diversos calibres no cocoruto e no bucho dos inimigos. Isso não deve fazer muito bem não, quando eu o proíbo de jogar em casa certamente ele vai para a lanhouse ou na casa dos amigos que possuam computador e lá ficam os demais jovens de sua geração a matar e matar e matar, e matar, ufa... É um matar sem fim. 

Havia um tempo que os objetivos dos jogos eram destruir monstros, alienígenas e outros seres fantásticos, mas em alguns jogos atuais não há maquiagem nem meio termo, você mata personagens “humanos” o que torna os jovens especialistas em armas, estratégias de combate e de matar com muita eficácia.

Você pode até pensar, “Isso é coisa destes videogames que deformam a personalidade das crianças”, concordo em parte. Analisemos as novelas recordais, essebetais e globais, seja qual for a emissora e em qualquer horário o bandido das novelas é alguém pelo qual, mesmo sendo na ficção, nutrimos um ódio visceral por ele representar tudo o que abominamos e por assistirmos de camarote as suas maldosas peripécias, coisa que o mocinho ou mocinha e demais personagens da novela sequer desconfiam de suas estripulias, mas nós sabemos, acompanhamos e vemos que tal personagem não presta. Chega o final da novela e além daquelas cenas de felicidade tal como casamentos, nascimentos, encontros e reencontros amorosos, fazem parte do final feliz que o bandido se lasque, mas não é se lascar de brincadeira não, se o bandido for daquele tipo malvadão mesmo, ser desmascarado é pouco, ser humilhado é pouco, ir pra cadeia é pouco, queremos mesmo é que ele se estabaque num acidente de carro, que o carro exploda com ele dentro, que tome uma rajada de tiros de metralhadora numa fuga ou até que seja devorado por um tubarão como ocorreu num final de novela recente. Aliás, que final mais besta, parece coisa do filme Premonição. 

Desta forma o que nos conforta é que o bandido se dê mal no final, coisa rara de se ver na vida real e assim as novelas representam um sentimento da população que vê na pena de morte do bandido uma justa pena para quem é ruim. 

A pena de morte informal adotada no nosso cotidiano passa muitas vezes desapercebida, não é discutida, não é enxergada e é servida sutilmente quando um apresentador fala de forma entusiasmada sobre bandidos mortos em confrontos com a polícia ou elementos justiçados dentro de “comunidades”, antigas favelas, onde vigoram a lei do silêncio. A morte do mal nos redime. 

Enquanto isso Barak Obama com seu vídeo game de última geração, amparado no interesse de bilhões (sim, bilhões torciam por isso), aciona seu joystick e mata Osama Bin Laden do outro lado do mundo e por enquanto “Game Over”. 


Marco Antonio Cordeiro
Administrador e cronista


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