Dê Adeus Aos Problemas Financeiros III

Furos no caixa, falta de capital de giro, preços errados, custos altos, investimentos exagerados e inadimplência. É possível, sim, resolver - e melhor, evitar - as armadilhas que fazem com que 74% dos negócios não sobrevivam, segundo dados do Sebrae. Seis especialistas em finanças e 20 empresários de sucesso apontam soluções para perguntas que vieram de todo o país e também podem valer para você

por Sérgio Tauhata, com a colaboração de Thiago Cid

MEU PROBLEMA > CUSTOS


"Os insumos ficam cada vez mais caros, temos que investir em equipamentos e os cortes de custos não têm sido suficientes. O que devemos fazer?"

Pedro Lacerda, 46 anos, diretor da Gráfica Brasil, de Uberlândia (MG)

O QUE FAZER PARA NÃO PERDER O CONTROLE DOS CUSTOS

> Organizar planilhas de contas a pagar e a receber, comissões sobre vendas, controle de estoque, gastos com materiais, mão de obra, insumos, impostos e logística. Usar essas informações para decidir quando e onde aplicar os recursos.

> Encarar a gestão de custos como uma das formas de se obter vantagens competitivas. Quanto mais preciso o controle, mais fácil estabelecer preços vantajosos.

> Não cortar gastos obsessivamente sem pensar no futuro. Há o risco de comprometer a qualidade do serviço ou do produto e do ambiente de trabalho.

> Criar um sistema de remuneração variável baseado em metas de diminuição de despesas. Esse incentivo pode ser calculado como um percentual sobre os valores economizados.

> Eliminar os gastos supérfluos que muitas vezes resultam de vícios administrativos e não representam custos efetivos.

> Fazer a gestão dos riscos jurídicos do negócio para evitar multas, processos e indenizações.


AS SOLUÇÕES DE QUEM SABE COMO SUPERAR A DIFICULDADE

GUSTAVO CERBASI, 36 ANOS, ESCRITOR, PALESTRANTE E CONSULTOR FINANCEIRO

COMO EVITAR O PROBLEMA

"Muitas empresas caem na tentação de investir em equipamentos como estratégia de expansão. Essa é uma iniciativa que aumenta os custos fixos. Mas o ganho de produtividade pode não compensar. Antes de fazer um movimento desses, é melhor avaliar se há mesmo urgência. Se o empresário não domina as áreas de gestão e finanças, acaba não conseguindo estabelecer processos eficientes nem estipular métricas para avaliar o desempenho da organização. O planejamento de custos deve contemplar a negociação com fornecedores e instituições financeiras, a análise de contratos e ajustes tributários."

COMO RESOLVER O PROBLEMA

"Não há mágica. São necessários esforços extras para aumentar a eficiência operacional, melhorar os serviços e o atendimento, rever a carteira de produtos, enxugar os estoques e prospectar novos canais de venda. Também deve ser considerada a possibilidade de captação de recursos de investidores ou mesmo no mercado financeiro."

CARLOS RIOS, 61 ANOS, SÓCIO DO RESTAURANTE ESPLANADA GRILL

"Os custos altos foram responsáveis pelo fechamento da nossa unidade de São Paulo em 2005, depois de 20 anos de funcionamento. O aluguel chegou a 15% da receita, quando o ideal é de no máximo 8%. Ficamos só com o Esplanada Grill do Rio de Janeiro, e decidimos abrir uma pizzaria, que tem estrutura e custos mais leves. Hoje, trabalhamos com estoque para dois dias e a equipe não tem um funcionário a mais do que o necessário."

ROBSON DE BONIS, 42 ANOS, FUNDADOR DA TOTAL HEALTH EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA

"O prejuízo causado por um recall de uma peça terceirizada mudou nossa maneira de lidar com custos. Na época, a Total Health teve de reduzir as despesas para se manter viva. Para assegurar a qualidade, começamos a fabricar nossas próprias peças. Fizemos uma reengenharia de produção. Revisamos o projeto das máquinas e reduzimos o número de componentes. Padronizamos as peças para que pudessem ser utilizadas em todos os aparelhos. Com isso, implantamos um programa de reciclagem no qual recompramos aparelhos quebrados de nossos clientes para reaproveitar as partes. A redução de custos foi de 30%."

HUGO MARQUES DA ROSA, 61 ANOS, FUNDADOR DA MÉTODO ENGENHARIA

"A melhor forma de cortar custos é no projeto. Nós temos uma verdadeira obsessão com o planejamento dos recursos. Sempre elaboramos também o planejamento de riscos, em que fazemos um check list com soluções de emergência. Não basta apenas caber no orçamento: é preciso ter margem para os custos não previstos."

LAURO FELIPE MEGALE, 47 ANOS, DONO DA ATLAS LOGÍSTICA

"A Atlas sempre foi muito preocupada com custos. A eficiência nos gastos é essencial para um negócio de logística que movimenta R$ 400 milhões por ano. Por isso, acompanhamos em detalhes os custos de equipamentos e de pessoal. Temos indicadores para todas as despesas: operacionais, de coleta, de entrega e administrativas. Muitas empresas olham para as vendas, mas se esquecem de fixar metas para custos. Nós fizemos o inverso: estabelecemos uma bonificação de acordo com a economia gerada. Pagar uma remuneração variável baseada em diminuição de custos é uma estratégia que pode ser implantada por pequenas e médias empresas. Os ganhos em rentabilidade vão compensar."


Fonte: http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI176137-17198-2,00-DE+ADEUS+AOS+PROBLEMAS+FINANCEIROS.html


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