Série SEU NEGÓCIO - Como Abrir e Montar Negócio Próprio

por Brasílio Andrade Neto


Muitos sonham com seu próprio negócio. Uma pequena loja para atender a vizinhança, quem sabe colocando em prática a sua capacidade de negociação e o bom gosto para roupas e acessórios. Ou então passar a ganhar dinheiro com aquele seu passatempo e, com o tempo, abrir filiais.

Só que a grande maioria fica pelo meio do caminho. Apenas uma minoria de lojas consegue sobreviver ao seu primeiro aniversário. Dá para contar nos dedos as que chegam ao quinto ano, de cada cem que abrem as portas. As que conseguem superar os obstáculos de burocracia, posicionamento, atração de cliente, contratação e treinamento de pessoal, gestão financeira e, além disso, conseguem fazer algo para se destacar, são merecedoras de toda a admiração.

É isso que Luísa Araújo, André Pivetti e Orlando Ferreira fizeram em seu livro, Abra uma Loja para o Sucesso – O Segredo dos Vencedores. Além de dar uma receita passo a passo de como evitar os problemas mais comuns na hora de abrir uma loja, também entrevistaram empresários de sucesso na área.


O começo –

Para abrir sua loja corretamente, os autores sugerem que você comece definindo o segmento e o foco. O que você quer fazer? Vender produtos automotivos (para quem? Táxis e outros veículos que rodam muito, para pessoas interessadas em tunning e modificação de veículos, para quem deseja segurança), oferecer serviços de jardinagem (para condomínios? Casas? Só manutenção ou projetos de paisagismo completos? Vender mudas e sementes?). Sem essa idéia clara na cabeça, muitos candidatos a empresário compram cada vez mais itens sem critério, atulhando o ponto-de-venda sem atrair ninguém em específico. Assim que tiver a idéia clara do que irá vender e de quem deseja como cliente, você pode tentar responder outras perguntas:

• Devo ter um sócio? A grande questão. Não basta conhecer a pessoa nem gostar dela. Analise os objetivos e a competência daquela pessoa. O ideal é que cada um cuide de um aspecto da empresa, sem interferir na área do outro.

• Marca própria ou franqueada? Entenda que, utilizando a experiência de uma franquia, você diminui as chances de alguma coisa dar errado com sua empresa. Diminui, não as zera nem torna sua loja à prova de más escolhas. Uma franquia também significa algum gasto a mais. Se preferir abrir um negócio próprio, tente focar em um nicho, quanto mais específico melhor. Busque algo que você goste e se identifique. Mantenha em mente a simplicidade. Nada de nomes e logomarcas exageradas, cheias de cores. Tenha em mente que você irá enfrentar dificuldades, por isso tente manter algum dinheiro de reserva.

A seguir, você deve se preocupar com o local onde abrir sua loja. Nem sempre a porta de casa é o melhor lugar e nem sempre ela deve ser descartada logo de cara. Também tome todas as providências legais, coloque a papelada em dia. Verifique, em seu Estado, quais as vantagens para micro e pequenas empresas (órgãos como o Sebrae podem ajudar muito nisso).


Falando de dinheiro –

Os autores destacam um bom espaço do livro para a parte de finanças e fluxo de caixa de uma empresa. Segundo eles, o lojista deve prestar atenção em:

• Custos fixos que se tornam variáveis. Acontece muito em shopping centers, onde costuma-se aumentar o valor do aluguel da loja a partir do aumento de seu faturamento. Está lá no contrato que o lojista assinou, mas muitos esquecem desse detalhe e são surpreendidos no final do mês. Outros custos que podem surpreender e acabar com o seu fluxo de caixa são telefone e folha de pagamento.

• Deixe a vaidade de lado. Sim, é da natureza humana, assim que sobrar um dinheirinho, comprar aquela nova caixa registradora que só falta embalar as compras do cliente, porque falar ela fala, ou um novo letreiro luminoso de cinco metros de altura. Calma. Equipamentos que não são essenciais podem ser alugados, arrendados ou utilizados em leasing por um determinado período. Pense bem antes de adquirir supérfluos. Sim, é muito cômodo e bom ter seu próprio equipamento, entretanto, tudo o que for seu passa a fazer parte do custo fixo, aumentando-o e fazendo que sua loja demore mais a dar lucro.

• Não deixe seu capital parado em estoque. Certo, quando se inicia uma loja, é difícil calcular o quanto de estoque é necessário, mas não se esqueça: compras exageradas ou produtos e serviços que não atraem seu público-alvo significam que seu dinheiro está ali, parado, juntando teia de aranha e tirando espaço de um outro produto que poderia vender mais.

Essas são apenas algumas dicas para evitar erros comuns na hora de abrir uma loja. E existem muito mais detalhes e áreas que demandam sua atenção. Mas seu sonho merece tudo o que você puder lhe dar.


BOX

Conselhos de quem chegou lá


Mr. Cat, calçados e acessórios –

Ari Nelson Svartsnaider, diretor e criador da marca, diz que começou com um metro de couro, presente de sua mãe. Desse material, fez um sapato e o mostrou a um amigo, que encomendou quatro pares. Resolveu fazer oito. Que vendeu e, com o lucro, fez 16. Daí, 32. Quando chegou a 100 pares por semana, Ari viu que precisava de um sócio. Mas as coisas não se tornaram fáceis depois disso. “Acordava às 6 horas da manhã e chegava em casa às 11 da noite, quase todos os dias. Desmaiei algumas vezes.”

A dica para quem quer começar: “Com criatividade e pesquisa, é possível descobrir um bom caminho, pois o mercado não está saturado como dizem. Há muitos nichos a explorar. O ideal é investir em públicos específicos.”


Chocolates Kopenhagen –

Para o casal Anna e David Kopenhagen, o grande desafio foi a mudança de um pequeno espaço em um bairro de São Paulo para a grande fábrica em Tamboré. Era preciso, segundo eles, não perder o toque artesanal dos produtos, mesmo com a modernização.

A dica para quem quer começar: “O empreendedor tem de estar sempre atento às mudanças do mercado, visando inovar e agradar o consumidor, motivar o colaborador e gerar lucro.”


Duloren –

Apesar do sucesso da empresa no setor de lingerie, Roni Argalji, principal executivo da Duloren, não parou de buscar novos negócios. Recentemente, em parceria com outras empresas, lançou uma marca de lingerie mais sofisticada, que teve seu nome licenciado para cosméticos. “Quem sabe, um dia, não lançamos até chocolate com essa marca?” diz Argalji.

A dica para quem quer começar: “Nunca seja igual a seus concorrentes. Destaque-se na paisagem, seja agressivo e inovador. Não se limite à mesmice.”


Cristal Graffiti –

Nem sempre a primeira idéia para abrir sua loja é a mais acertada. Veja a Cristal Graffiti, que começou como uma loja de roupas de surf, no Rio de janeiro. Com o tempo, resolveu mudar seu enfoque para moda jovem, conquistando uma fatia maior de mercado. Além disso, para atrair outros nichos de mercado, criou as marcas Atol das Rocas e Arte Girls. Cláudio Maurício, diretor administrativo da marca, tem como característica mesclar lojas próprias (tem 20) com franquias (mais de 15 em diversos estados do Brasil).

A dica para quem quer começar: “Mantenha os pés no chão e não conte com o que virá. Sem dúvida, é melhor começar pequeno e crescer de acordo com o que é possível.”


Brasílio Andrade Neto é redator-chefe da revista VendaMais.
Fonte: Revista Vendamais

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