Fim de ano começo de ano...

Lá vamos nós mais uma vez na aventura do tempo, esperando que na virada do ano tudo se renove, e quando a champanha(e) ou espumante espocar sua rolha (póc) uma nova chance nos será dada. Zera o cronômetro e podemos começar de novo, como um jogo de videogame em que se pode voltar a fase e tentar vencer os desafios com um pouco mais de destreza do que fizemos antes, afinal já aprendemos errando no naco do tempo chamado de ano passado e agora temos um ano novinho para que renovemos as atitudes e façamos melhor aquilo que não conseguimos fazer antes.

Os Titãs tem uma musica chamada “ Nem sempre se pode ser Deus” em que dizem

“Não é que eu vou fazer igual

Eu vou fazer pior”

De resto, todo mundo que eu conheço só promete que vai fazer melhor.

Aprendi que o tempo teve que ser domado para que os compromissos assumidos, por escravos e trabalhadores, com as obras a serem realizadas em que os imperadores, papas e detentores de grandes fortunas desejavam que estas obras, coubessem dentro de um compartimento este compartimento se convencionou chamar tempo (minutos, horas, dias e vai por ai)

“ Você tem 3 horas para resolver aquilo...”

“...Você tem um ano para mudar isso...”

Mudar, resolver, fazer, concluir e vários outros verbos devem caber no tempo.

Penso que conjugar o verbo viver parece ter pouco tempo, é sempre pouco tempo para conter uma vida.

Mas vá lá...

De certa forma é um conforto que se convencione um prazo (que é tempo) para mudanças e afazeres, dá para passar cheques pré datados e marcar encontros e contar as horas de forma regressiva.

Contar o tempo de forma regressiva não é só importante no fim de ano em que contamos 10, 9, 8, 7, etc...

Melhor assim senão seria um desencontro total de fogos e comemorações.

Fico pensando se os astronautas também não se preparassem com a contagem regressiva...

Quando menos se espera a nave explode pra subir e dá aquela arrancada... Se o cosmonauta (que não é necessariamente torcedor do time do Cosmos de NY) não estiver preparado e ainda continuar preparando as malas de viagem para a lua no compartimento de bagagem, leva um tombo daqueles e é cueca, pijama e camisa furada no suvaco flutuando por todo lado na nave.

Parece que sem a contagem do tempo o caos seria implantado.

Mas voltemos para a virada do ano.

Eu, tu, ele(a), nós, vós eles(as)

Enfim, todos desejam uma nova chance, um restart para errar menos. A gente, no entanto, sente e sabe no fundo que não é bem assim que funciona. Somos filhos legítimos de nossos atos, mesmo os ilegítimos. E infelizmente uma noite regada a vinho, com pulos nas ondas ou orações consternadas de arrependimento ou agradecimento não vão fazer com que as mudanças se processem num passe de mágica. Porque o ano começa ou outro se foi e assim como um grande tapete, cobrindo nossos erros e pecados que vão sendo varridos para baixo do tapete do tempo e lá ficam muitas vezes escondendo coisas que não queremos mais ver, não significa que começamos ali a partir daquele momento.

Nosso processo de melhora e crescimento como seres humanos é feito no dia a dia, noite a noite, ato para ato para conosco e para com os outros.

Fatiar o tempo como uma pizza de quatro queijos ou como um pedaço de mortadela e destes abocanharmos o que supomos ser o pedaço razoável para nos atender é uma boa estratégia pra tentar organizar as coisas.

No entanto o tempo não cabe em si, contém tudo, mas não pode ser contido por nada.

A vida é um eterno seguir... Hoje, agora, amanhã, depois, ontem são convenções para tentarmos enquadrar os fatos de nossas vidas.

Mas para mim, o fato mais importante é que chega ao fim ou ao começo um novo momento (que também é tempo) e estamos vivos.

O tempo é dos vivos,

Aqui e agora só quem pode agir e viver é quem aqui está e assim para nós que aqui estamos, feliz tempo sem fim até o fim dos tempos


by Marco Antonio Cordeiro
grande amigo

 

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