Impactos da Idade na Carreira



Norberto Chadad


Recebi dia destes o convite para participar de concurso voltado para a terceira idade promovido por uma grande empresa multinacional, e este fato me motivou a buscar no último censo publicado pelo IBGE uma visão crítica do que anda ocorrendo na pirâmide de distribuição etária no Brasil. A visão clássica ensinada nos bancos escolares mostra que o Brasil é um país de estrutura demográfica tipicamente dominada por jovens, com a pirâmide populacional certinha de base larga e ponta estreita. Mas esta é uma visão romântica da realidade, que nos mostra hoje o meio da pirâmide também alargado, correspondente ao aumento da população na faixa que vai dos quinze aos trinta anos de idade. Não é difícil perceber que vivemos na verdade uma transição dramática em um mercado de trabalho que dia após dia pratica a renovação da mão-de-obra através de trocas: a troca de idade (sai o mais velho, entra o mais novo) e as trocas salariais (sai o mais caro, entra o mais barato).


Viveremos daqui a vinte anos uma revolução no mercado de trabalho e poucos dentre os profissionais que hoje tem entre 20 e 35 anos, e portanto ocupam as posições de supervisão e gerência, se dão conta de que daqui a vinte anos terão entre 40 e 55 anos, e estarão vivenciando o drama dos gerentes ou diretores que perdem o emprego ou são obrigados a trocar de profissão, em virtude da idade. É fato amplamente conhecido que a idade é um dos fatores críticos na empregabilidade de profissionais e executivos. Em uma pesquisa que publicamos recentemente, os respondentes empregados (idade mediana de 40,0 anos) eram no geral sensivelmente mais novos do que os desempregados (idade mediana de 48,8 anos).


Parece haver portanto uma idade-limite, onde aquele mundo correto e estruturado do profissional ou executivo sofre um abalo de descontinuidade, e este limite, de acordo com nossas pesquisas, ocorre em algum momento da carreira após nosso profissional ou executivo completar os 45 anos de idade. Quero enfatizar um resultado de nossa pesquisa, onde constatamos que 13,22% dos respondentes declarou possuir idade acima dos 50 anos. Dentre os empregados, apenas 4,41% estavam nesta faixa de idade, versus 52,89% dos desempregados. Note o leitor que este é um dado real e palpável que mostra claramente a existência do preconceito em relação a idade existente no mercado de trabalho. A boa notícia que tenho para oferecer é que existem algumas maneiras de se driblar este preconceito.


A Transição de Carreira, feita no momento adequado, oferece resposta concreta à dúvida sobre que rumo tomar após a perda do emprego com idade já avançada. Constatamos em nossa pesquisa que apenas 8,4% das pessoas pretende pendurar de vez as chuteiras e curtir a aposentadoria. A maioria prefere continuar lutando por um lugar ao Sol, e 32,5% dos respondentes escolheu que preferia montar um negócio próprio diferente do que fazia antes ou então que pretendia virar consultor independente (opção de 27,98% dos respondentes).



Minha recomendação pessoal a você, executivo com mais de 45 anos, ou mesmo você, jovem executivo de 30 anos, é que cuide de sua empregabilidade enquanto houver disposição e energia para praticar o networking, investindo na própria qualificação profissional, e cuidando de manter um bom histórico de realizações profissionais, mas também planejando e tendo em mente que o futuro chegará algum dia! O tempo não para, e à medida que a idade avança fica mais e mais difícil manter o emprego. Não deixe passar o tempo!


Norberto Chadad é Diretor Geral da CATHO CONSULTORIA EM RH - São Paulo. Engenheiro que se transformou em Administrador. Hoje Norberto se intitula um facilitador de gente.

Fonte: Carreira e Sucesso

Fonte da imagem: gettyimage

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