Home Office: economia para a empresa e qualidade de vida para o colaborador

Tatiana Aude


Você já pensou como seria bom acordar, tomar o café da manhã com calma, levar as crianças à escola, deixar a esposa ou o marido no trabalho e voltar a casa para trabalhar? Seria bom, não é? Mas, conjugar este verbo no passado é ultrapassado. O “home office” - ou tele trabalho, teleatividade, trabalho móvel, à distância, remoto e até telecomutaçao - como é chamado, já é uma realidade, presente na vida de muitos trabalhadores brasileiros.
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Contudo, não pense que esta modalidade de trabalho, que vêm crescendo nas metrópoles por fatores como trânsito, agilidade na informação e atendimento ao cliente, é sinônimo de moleza. Os profissionais que entram na área passam por um treinamento minucioso para aprenderem a administrar o tempo e, no caso de precisarem utilizar algum intervalo para resolver assuntos particulares, tratam de compensar as horas depois.

Dados do Instituto Market Analysis comprovam que o home office é uma tendência das empresas modernas. De acordo com a pesquisa, o sistema já é adotado, parcial ou integralmente, em 23% dos funcionários do setor privado.

As grandes corporações, geralmente da área de TI, como a gigante IBM, Dell Computers, Grupo Accor – composto pela empresa Ticket – Accenture, Serpro e Soma Agência, já estão adotando o teletrabalho. São as pioneiras no Brasil de um movimento que não é novidade em outros países, como Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, EUA e Portugal.

“Muitos destes países já estão propondo legislações específicas para a regulamentação do teletrabalho, tais como Portugal (código de trabalho, artigos 233, 236, 237 e 239) e Estados Unidos (Telework Improvements Act). A Argentina, Colômbia e Espanha também não ficaram atrás”, afirma a diretora presidente da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividade (SOBRATT), Ana Manssour.

A diretora, que estuda a ampliação desta modalidade e sua chegada ao Brasil é enfática ao afirmar que o home office está longe de ser um modismo, pois chegou de forma tímida, por meio da internet, há cerca de 20 anos. Para ela, é mais uma tendência que acompanha o desenvolvimento acelerado – porque não, caótico – das grandes capitais.

“A gravidade da atual situação do planeta leva todas as pessoas, a sociedade e as organizações a buscarem alternativas em todas as áreas que possam reverter, ou pelo menos retardar o aquecimento global e outros problemas contemporâneos. Necessidades prementes, como a redução do trânsito congestionado, proteção contra a violência urbana, convivência maior com os filhos e familiares, melhores condições de saúde e equilíbrio do orçamento doméstico”, adiciona Manssour.

Bom para as empresas...

A Ticket, empresa do Grupo Accor Services, implantou o home office em 2006 com 42 colaboradores. Em pouco mais de dois anos resolveu fechar 17 filiais, e com a verba proveniente da venda, aumentou o número de colaboradores da modalidade para 110, tanto da área comercial (maior foco no momento) quanto para alguns setores administrativos.

“Com a medida, tivemos uma ampliação de 40% no volume de vendas e economizamos R$ 3 milhões em estrutura física”, afirma,Edna Bedani, gerente de desenvolvimento de RH da Accor Services.

Na empresa, todos os colaboradores que entram no ‘novo esquema’ precisam, antes de mais nada, participar de três etapas, que possibilitam – ao funcionário e à família dele – a adaptação: treinamentos e orientações sobre administração do tempo, respeito ao trabalho e respeito ao ambiente familiar; centralização da operação, pois independente de onde esteja, a operação é feita para um setor específico no RH para isso – nesta fase, participam de reuniões, feedbacks, coaching e recebem ferramentas via web para se informarem sobre os acontecimentos na empresa; e, por último, ganham estrutura para trabalhar: celular corporativo, notebook, impressora, internet banda larga e mobiliário mais adequado ao ambiente.

“Para a empresa essa medida só tem prós, nenhum fator contra. E deu tão certo que 99% dos colaboradores de home office não voltariam para o escritório. Além disso, os clientes também elogiam porque, por estarem mais próximos deles [cada um fica em uma cidade] o retorno é bem mais rápido”, Edna ressalta.

...e melhor ainda para eles

Marcelo Soldado, gerente de negócios da Ticket, está na empresa há 18 anos e trabalha em casa desde outubro de 2007. Ele atende pessoas jurídicas de grande porte, efetuando os pedidos de depósito de benefícios aos colaboradores. Quando soube que trabalharia em casa, recebeu a notícia muito bem, pois já tinha compartilhado experiências muito boas de quem trabalhava da mesma forma.

“Recebi a notícia muito bem e gostei da mudança. É evidente que você ganha qualidade de vida e tempo, não pega trânsito e o tempo perdido de antes se reverte em outras atividades que você agiliza em casa”, explica.

A rotina familiar dele, que mora em São Paulo, melhorou, e todos respeitam o espaço de trabalho como se ele realmente estivesse no escritório da empresa. Além disso, faz questão de, frequentemente, manter o convívio com os colegas do trabalho “minha esposa adorou, minha filha já tem 15 anos e entende perfeitamente, os clientes saem satisfeitos, e quando sinto necessidade, marco um almoço com minha chefe e colegas para trocar idéias e manter contato”, diz.

Outro exemplo é o do empresário Fábio Elias Miquelin, de 31 anos, proprietário da empresa Reale Treinamento e Eventos. Ele trabalha em home office há quatro anos e ressalta que a iniciativa em fazer tudo dentro da própria casa partiu da necessidade em cortar custos. “Qualquer locação hoje é muito cara e impacta significativamente nos custos repassados aos clientes. Além disso, como tenho um filho pequeno, de 3 anos, que está numa fase muito difícil, é uma forma de equilibrar as duas coisas: trabalho e família”, declara.

Fonte: http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=10518

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